No topo do mundo perdido, vulgo Monte Roraima, encontrei os jardins mais bonitos que já vi na vida. Buques, mandalas, árvores podadas pelo vento, barulhinho de água corrente, cristais brotando do chão, flores diferentes nascendo direto das rochas e caminhos sinuosos pisando em areia, lodo, poças e pedras cheias de significados.

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Jardins pré-históricos

Flores fortes e delicadas ao mesmo tempo
Flores fortes e delicadas ao mesmo tempo

O extraordinário é nada disso ter sido criado por jardineiro algum, são plantas que levaram milhões de anos para se adaptarem ao clima hostil, erosões e falta de nutrientes. Algumas desenvolveram mecanismos especiais para resistirem à alta radiação solar sem perderem umidade, muitas possuem folhas grossas e duras, entretanto, todas são frágeis, únicas e encantadoras.

Flores endêmicas
Flores endêmicas
Buque em poças d'água
Buque em poças d’água
Jardins pré-históricos
O jardim na frente da caverna e o penhasco logo ali

O Monte Roraima tem 2.723 metros de altura e 34 km2, dos quais percorri 24 km. Lá em cima pequenas ilhas de vegetação endêmica dividem o espaço com formações rochosas primitivas.

quero dicas do Brasil
Vale dos Cristais tomado por quartzo branco
Vale dos Cristais tomado por quartzo branco
Piscina natural no Vale do Arabobo
Piscina natural no Vale do Arabobo

Em dois dias de caminhadas tive que me controlar para não ficar sem bateria na câmera (não existe energia elétrica ou qualquer infraestrutura), a todo momento me deparava com uma espécie diferente ou composições belíssimas. Muitas vi pelo caminho e não registrei por receio de me perder do grupo (lá em cima é um labirinto), mas capturei belas imagens e este deve ser o post com mais fotos do Territórios.

Orectanthe sceptrum
Orectanthe sceptrum
Sempre havia um lindo jardim nas paradas para descansar
Sempre havia um lindo jardim nas paradas
para descansar
Bejaria imthurni no meio dos cristais nos jardins pré-históricos
Bejaria imthurni no meio dos cristais

Conhecer esse paraíso não é tarefa fácil, a montanha te põe à prova em situações que podem implicar risco de vida. Mas isto é uma outra história que ainda vou contar em detalhes, deixo apenas o resumo do que está por vir.

Drossera roraimae, pequena planta carnívora nos Jardins pré-históricos
Drossera roraimae, pequena planta carnívora
Epidendrum secundum, uma mini orquídea
Epidendrum secundum, uma mini orquídea
Fontes de água e stegolepis guianenses, a planta predominante nos Jardins pré-históricos do Monte Roraima
Fontes de água e stegolepis guianenses, a planta predominante

Para chegar no topo são necessários 3 longos dias de trilhas (respectivamente 14 km, 9 km e 4 km), tem que cruzar rios, subir quase 2 mil metros de altura (sendo 600 metros de escalada), enfrentar o Passo das Lágrimas e as mudanças bruscas de clima, pedir permissão para Makunaima (o Deus para os índios Taurepangs), passar pelos guardiões, dormir em cavernas e não se assustar com as lendas ou sinais encontrados pelo caminho. Entretanto, afirmo que vale cada gota de suor.

Os brotos do stegolepis guianenses entre as plantas dos Jardins pré-históricos do Monte Roraima
Os brotos do stegolepis guianenses
As luzes do fim de tarde e a tepui vizinho - Kukenán
As luzes do fim de tarde e a tepui vizinho – Kukenán
E na volta tem que enfrentar tudo de novo descendo entre os jardins pré-históricos
E na volta tem que enfrentar tudo de novo descendo

Tome Nota

Para relatos sobre o dia a dia da Expedição Monte Roraima comece por aqui.

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Author Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

2 Comentários

  1. Impressionante. Apesar das dificuldades, esse lugar é o máximo. Nossa, difícil mesmo deve ter se controlado para não acabar a bateria da câmera, né? Eu ia ficar muito nervoso. rs. Abs.

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