Viaje intensamente, viaje sozinha! Podcast


Resgato este texto publicado há 10 anos porque o mesmo assunto e histórias foram contadas no episódio do Tesão de Ouvir desta semana: Viaje intensamente. Viaje Sozinha! E sim, continua super atual, a diferença é mais mulheres viajando sozinhas atualmente. Na época, havia tão pouco conteúdo sobre o tema que ele ficava na primeira página das buscas e rendeu um convite para ser entrevistada no SBT Repórter.

Para provar como continua atual, conversei com a viajante solo Denise Tonin sobre as aventuras, desventuras e empoderamento feminino ao viajar sozinha. Aperte na seta e escute.

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Meu propósito é estar comigo mesmo no lugar que escolhi, seja ele qual for. Sou viajante solo por opção e paixão...” 
Denise Tonin, viajantesolo.com.br

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Viaje Sozinha!

Quando viajamos, criamos coragem para fazer coisas não frequentes em nossa rotina. Agora, imagine viajar sem ter nenhum amigo ou parente por perto e poder escolher o que eles merecem saber ou se vamos manter somente em nossa memória. Quem se anima a sair por aí sozinho pode ter uma experiência além das expectativas. Não concorda? Então primeiro viaje, tenha a vivência e depois decida se valeu a pena. Apenas vá com cautela e planejamento!

É fato, quando viajamos sozinhos, temos um olhar mais observador e atento. Isso permite ver coisas que passariam desapercebidas, além de aprender melhor os caminhos por onde andamos. Viajar sem companhia não significa estar sozinho, é uma maneira de sermos muito mais abertos para conhecer pessoas e culturas. O aprendizado e as conversas surgem o tempo todo em filas, paradas de ônibus, cafés, parques e infinitos lugares. Tudo depende da sua vontade.

Viaje intensamente: pedindo para alguém tirar a foto naquele lugar especial
Pedindo para alguém tirar a foto naquele lugar especial

Mas o que lemos por aí pouco fala dos prazeres dessa vivência e muito sobre as desvantagens. O certo é: em todas as situações sempre dá para tirar o lado bom e ter muito mais histórias para contar.

Vantagens e desvantagens de viajar sozinha

Se conhecer melhor, ficar mais maduro, esperto, capaz de se virar sozinho e até falar outras línguas estão entre as tantas vantagens. Claro, há exceções, o viajante pode se meter em encrencas voluntária ou involuntariamente. Como lidar com isso vai do caráter e escolha de cada um, a pessoa pode crescer ou se afundar em uma experiência ruim.

Fazendo amigos no hotel em La Habana
Fazendo amigos no hotel em La Habana

Também aprende a se localizar melhor na cidade e, quem sabe, se mistura com os locais sendo solicitado a dar informações para grupos de turistas. Tudo acontece no seu ritmo e do seu jeito. Você decide o que fazer com o seu tempo, sem precisar discutir com os companheiros quando querem fazer outra coisa. Quando problemas acontecem a probabilidade de fazer amigos aumenta. Está cheio de viajantes e residentes solidários por aí.

A maior desvantagem é não compartilhar com quem a gente gosta as nossas aventuras, mas com as redes sociais isso já é coisa do passado. Os seus melhores amigos vão te acompanhar. Também dá mais trabalho por ter de pensar e ser responsável por tudo, do planejamento à burocracia, de negociar os passeios e hospedagem a lidar com imprevistos. Mas isso pode ser desvantagem para alguns e vantagem para outros, depende do perfil. Outro lado ruim são os custos mais altos em hospedagem, passeio e transporte, mas há várias alternativas para contornar esses momentos como encontrar outros viajantes solos no caminho para dividir as despesas.

De onde vem a coragem

Sempre circulei com a família e muitas pessoas ao redor. Nunca tinha pensando em viajar sem eles até a minha primeira viagem com amigos para Santa Catarina. Os onze amigos que encontraria na Ferrugem (SC), saíram de Pelotas (RS) e eu sozinha de Camboriú (SC). Na época, celular era para poucos e internet algo bem distante. Eu só tinha o nome do proprietário da casa e a informação que seria bem fácil encontrá-lo perguntando para qualquer um, na praia.

Era início de fevereiro e o pequeno balneário estava lotado de gaúchos e paulistas. Perguntei e não consegui encontrar um nativo que conhecesse o tal proprietário. Logo fiz amizade em um posto telefônico, deixei minha mochila com a atendente e fui procurar meus amigos. Caminhei por tudo o dia inteiro e não vi nenhum rosto familiar, por outro lado, conheci muita gente querendo me ajudar. Quando anoiteceu, eu já tinha até uma cama na casa de estranhos para passar a noite. E foi curtindo a balada que encontrei meus conterrâneos, surpresos, pois a tímida Roberta já conhecia quase todos na festa.

Em nenhum momento tive medo ou me senti solitária. Foi uma sensação super boa saber da possibilidade de me virar sozinha e comunicar com tantas pessoas interessantes e prestativas. Pronto, percebi que poderia viajar para qualquer lugar do mundo com ou sem companhia.

Praia da Ferrugem nos anos 90
Praia da Ferrugem nos anos 90

Conclusão

Até hoje viajei sozinha menos do que gostaria porque sou a amiga mais viajante nos meus círculos e acaba aparecendo alguém querendo ir junto. Porém, sempre dou um jeitinho de escapar, fazer uma caminhada e me perder sozinha no meio da viagem.

Qualquer pessoa pode ser um viajante solo, basta dar o primeiro passo. Quem gostou, fica viciado e quem não curtiu, pelo menos, vai contar a experiência com orgulho da sua coragem e certamente terá algum aprendizado com isso. Acho válido das duas formas.

Viaje sozinha, mas tome nota

Para conhecer pessoas mais rápido o melhor é ficar em hostel, fazer walking tours e passeios em grupo, na recepção da hospedagem sempre tem opções. E nem precisa ficar em quarto compartilhado, quase todos oferecem quarto privativo. Aproveitar as áreas comunitárias significa nunca estar sozinho. Em toda viagem levo o meu kit chimarrão, quando estou tomando sempre aparece um argentino ou um curioso para puxar conversa.

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Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

3 Comentários

  1. Adorei tudo que li. Sempre viajo sozinha e nunca fico sozinha, pricinpalmente ficando em hostels. Muito bom mesmo.

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