BRASIL

Sotaques do Brasil e do mundo


Viajando percebi os sotaques como identidade cultural e acho divertido relacionar com os lugares. Mas só notei como o meu é forte após sair da casa dos pais para morar em outra cidade, estado e país. Embora me adapte ao ambiente e confunda quem ouve, basta chegar a minha terra de origem para ele voltar com tudo… Divagando sobre esse tema com Luciano Nagel, gravamos o quinto episódio do podcast Tesão de Ouvir

Sotaques do mundo

Quando moramos em uma região sem sair dos arredores ou conviver com pessoas de fora, não percebemos o nosso jeito de falar, afinal, é natural e entendido por todos. A medida que nos afastamos, as curiosidades e diferenças vão aumentando, além das gírias e dialetos agregarem sons e novas palavras ao discurso. 

Minha primeira percepção clara nesse sentido, aconteceu quando fui morar na Espanha com 10 latinos, todos eles haviam sido selecionados para uma bolsa de estudos como eu, cada um de um país diferente. O meu espanhol era parecido com o da colega argentina, mas todos os outros tinham seu jeito específico de se comunicar. A convivência me ensinou a diferenciar e identificar a origem de cada pessoa que escuto falando o idioma até hoje. 

Então Luciano lembrou do tempo que estudava em Londres e como tinha dificuldade em entender o inglês americano dos turistas. Assim como ele, também aprendi o inglês britânico e só após algumas viagens e com esforço consegui me comunicar com americanos, sul-africanos e australianos porque cada um tem seu estilo e gírias únicas. Portanto, não basta aprender um idioma, é preciso ter contato com as suas variações regionais se quiser compreender amplamente. Nada complicado para quem adora absorver novas culturas. 

A diversidade de sotaques no Brasil

Sabia que os diversos sotaques brasileiros são relacionados com a história regional? No sul, por exemplo, recebemos um grande número de imigrantes europeus e o português sofreu influências dos idiomas e expressões falados nesses países. Já em São Paulo, a imigração italiana foi intensa, enquanto no Rio de Janeiro e em Santa Catarina encontramos o sotaque semelhante ao português de Portugal e assim o Brasil tem a diversidade na pronúncia proporcional ao seu tamanho.

Somente quando saí do Rio Grande do Sul para morar em São Paulo, percebi a expressão do sotaque gaúcho e comecei a prestar mais atenção aos sotaques do Brasil. Mas nem precisa ir muito longe, no meu próprio estado as diferenças são marcantes, em Porto Alegre falam de um jeito, o pessoal da fronteira de outro e assim por diante conforme a influência dos imigrantes.  

Se apertar o botão tocar a seguir, vai ouvir o “erre” puxado (pronunciado com a ponta da língua atrás dos dentes) meu e do Luciano além de notar como falamos diferente. Ele mora em Porto Alegre, mas é natural de São Leopoldo, distante a 35 km da capital, na região do Vale dos Sinos, enquanto sou de Pelotas e voltei a morar no extremo sul depois de 18 anos. Também colaboraram na conversa duas gaúchas de origens ainda mais opostas. A professora e psicóloga Daniela Coutinho explica o jeito de se comunicar na fronteira, enquanto a escultora Carem Jacobs traz o dialeto italiano falado na Serra Gaúcha

Afinal, como é o seu sotaque? Qual a dificuldade de entender uma pessoa de outra região? Alguma situação engraçada? Qual o seu sotaque preferido? Qual o mais irritante?

Foram as perguntas deixadas no ar e aguardam sua opinião nos comentários. Nossas respostas, estão no podcast.

Sotaques do Rio Grande do Sul

Moro mais perto da fronteira e vejo a influência dos espanhóis bastante incorporada como o uso de palavras que não existem na língua portuguesa. Para explicar isso, ninguém melhor que Daniela Coutinho, ela morou em Pelotas e hoje vive em Melo, no Uruguai, dando aula de português para estrangeiros:

“Sou de Santa Vitória do Palmar e lá o pessoal tem uma maneira muito engraçada de falar, é muito diferente do resto do país. Tem expressões muito a ver com o espanhol, por exemplo – me dormi”, disse Daniela.

Ouça a explicação na íntegra clicando no podcast.

Do outro lado do estado, em Bento Gonçalves, Carem Jacobs é descendente de família italiana e traz curiosidades:

“O dialeto vêneto é falado por muitos e mesmo os que não falam entendem, porque os avós e bisavós só falavam o dialeto.”

“As pessoas mais velhas, principalmente, aqui na nossa cidade, que pronunciam um r só, falam com aquela escorregada, mas isso é porque as palavras em italiano não tem dois ‘erres’, então as pessoas acabam pronunciando ele mais suave e acabam falando um português que a gente chama errado, na verdade, é bem cultural mesmo.”

“O bom disso é no momento que a gente decide aprender uma língua, o italiano mesmo, italiano gramatical. Com o nosso sotaque e a nossa proximidade com o dialeto, é muito fácil e a gente acaba ficando um sotaque muito próximo ao italiano de origem. Eu mesma já fui elogiada na Itália por não parecer estrangeiro falando italiano, isso é muito gratificante.”

Já o Luciano sente a influência dos imigrantes alemães na região dele e concorda comigo sobre o esquisito “portoalegrês” falado na capital. Para exemplificar no podcast, encontramos ajuda no site locallingual.com com áudios de sotaques do mundo todo, inclusive daqui. 

Mapa global de sotaques

Foi criado por um ex engenheiro de sistemas da Microsoft apaixonado por culturas e sotaques. Durante um mochilão pela Europa, David Ding queria se aprofundar nas expressões e resolveu programar um site interativo onde as pessoas deixam seus áudios identificando a sua região de origem. O sonho dele hoje é criar algo como a Wikipedia dos idiomas. Para buscar idiomas, clique em algum país do mapa e procure na lista de locais e regiões. 

Empolgados durante a gravação do podcast, montamos uma lista para quem vem visitar o Rio Grande do Sul e deseja se sentir como um local.

Dicas para aprender a falar o “gauchês” mesmo que o português esteja errado:

  • Use o tu, nunca o você.
  • Capriche nas vogais.
  • Fale cantado. 
  • Pronuncie o som de R com a ponta da língua atrás dos dentes.
  • Exagere no uso de pronomes antes dos verbos.
  • Ignore o S dos verbos na 2º pessoa.
  • Abuse das expressões locais como bah, capaz…

Enfim, dá para ficar horas e horas falando nesse tema e quem sabe vire um novo episódio com a colaboração do ouvinte. Seria divertido, concorda?

Sotaques do gaúcho

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Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 16 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

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