Reduza os riscos se for viajar durante a pandemia


É necessário espairecer a mente e possível sim viajar durante a pandemia, mas o planejamento ganhou nova importância e nos dá mais trabalho. São mais detalhes para pensar e verificar, mesmo para quem não está preocupado em ficar doente. Há restrições e mudanças repentinas que não dependem da nossa vontade. Trago divagações e listas com informações sobre o que levar, fazer e como circular reduzindo os riscos.

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Viajar durante a pandemia: eis a questão

Aqui estou em pleno feriado de Nossa Senhora de Aparecida ainda sem sair do meu bairro desde março. Não por medo de ficar doente e sim por receio de contaminar os outros sem saber ou incentivar viajantes a saírem por aí assintomáticos. Mas existe um limite para a nossa sanidade mental e o meu está esgotado. Antes de definir para onde vou viajar sem ter uma vacina, conversei com amigos e pesquisei formas seguras de continuar circulando. 

As constatações me deixaram triste porque o viajar seguro vai contra as práticas sustentáveis, é pesado, volumoso, abusa dos plásticos, nos faz perder tempo e o pior, restringe o contato com pessoas. Justamente essa interação com os locais está entre os motivos mais interessantes para sair por esse mundão. Enfim, ainda não sei se vou colocar todas essas novas recomendações em prática, mas compartilho aqui alguns cuidados e convido a dividir sua opinião comigo nos comentários. Para quem já saiu da toca, como você tem viajado na pandemia? Onde foi e se sentiu seguro?

Quando viajar? Evite feriados

Para começar, quem está trabalhando em casa ou tem flexibilidade na sua ocupação profissional deve evitar os destinos mais turísticos durante os feriados e finais de semana devido à aglomeração. Inclusive, leitores tem entrado em contato pedindo sugestão de locais interessantes, porém isolados, para passar um tempo. Afinal, seu trabalho é home office nesse momento e considera uma oportunidade de viver em qualquer lugar, desde que haja internet. Entendo muito bem porque essa é a minha realidade nos últimos 8 anos, mas o motivo de seguir essa recomendação faz tempo era por preferir conhecer a essência dos lugares sem grande movimentação de turistas, além de ser mais econômico quando a procura é menor.

Planejamento prévio é essencial na pandemia

Deixar para ver tudo de última hora é ótimo para ter liberdade e fazer escolhas mais convenientes, mas na pandemia significa perda de tempo, de dinheiro e frustração.

  • Verifique as restrições do local escolhido, seja atrativo, cidade ou país. Se o destino for internacional, lembre que a situação ainda é instável e as fronteiras podem abrir e fechar a qualquer momento. Saiba onde buscar informações oficiais aqui.
  • Confirme a documentação obrigatória solicitada pelo destino, muitos mudaram e passaram a exigir seguro viagem, testes de PCR, calção saúde, cadastro prévio, entre outros. Seguro viagem ganhou peso extra, embora nem todos cubram Covid-19, a proteção garante o primeiro atendimento e assistência em diversas situações.
  • Veja o status de reservas, voos e tudo o que está agendado dias antes de partir. Afinal, cancelamentos e postergações ainda tem sido comuns de última hora e podemos evitar tempo perdido em locomoção ou até ganhar tempo remarcando.
  • Aproveite a experiência de quem já oferecia turismo de isolamento antes da pandemia. No Brasil há várias opções de hospedagem como Pousada do Sobrado ou Juma Lodge. Além de casa por temporada ou imóvel no Airbnb.

Na dúvida se os serviços escolhidos estão realmente implementando protocolos de segurança, entre em contato com eles e pergunte tudo. Por exemplo: como estão as atividades nas áreas comuns? Como é servido o café da manhã? O check in, check out pode ser online? 

O que levar? Bolsa extra para proteção 

  • Álcool gel 70%
    Um recipiente pequeno na bolsa.
  • Álcool líquido spray 70%
    Para higienizar superfícies, mas é proibido em aviões.
  • Creme hidratante 
    Minhas mãos necessitam de hidratação extra com uso constante do álcool e sabão.
  • Máscaras 
    Três por dia, 1 por turno. Mas use de forma correta tapando nariz e boca com cuidado no manuseio. 
  • Porta-máscaras
    Dois itens. Um para guardar as limpas e outro para separar as sujas. 
  • Pano de limpeza ou lenços umedecidos com desinfetante 
    Para higienização das superfícies.
  • Sua própria comida
    Procure hospedagem com cozinha e prepare seus alimentos evitando restaurantes.

A bagagem vai ficar mais pesada se o roteiro durar mais de 1 dia, mas há alternativas leves e práticas no mercado: 

  • Fronha limpa
    Uma boa opção é lençol de dormir. Semelhante aos sacos de dormir, é bem leve e útil para não utilizar os fornecidos pela hospedagem. Principalmente se estiver em dúvida quanto a higienização segura do local.
  • Toalha de rosto e corpo
    Como viagens de todos os estilos surgem ou mudam de última hora, esses itens fazem parte da minha mochila há anos. Para diminuir o volume, sempre carrego toalhas de microfibra com alta absorção. 
  • Saco estanque e sabão
    O saco estanque utilizado para proteger equipamentos da água ou separar roupa suja na mochila, também vira máquina de lavar portátil se colocar sabão, mexer e deixar de molho. Também fazia parte dos meus itens básicos, agora a nova utilidade é lavar as máscaras.


Procure colocar tudo isso mais os itens pessoais em uma bagagem (de até 10 kg nas dimensões estipuladas pela cias aéreas) como bagagem de mão se o transporte for avião. Explico a seguir.

Mochila Deuter que eu uso vale na pandemia
Mochila dentro das especificações das cias aéreas que eu uso para não despachar

O transporte é seguro na pandemia?

Na conversa com minha mãe (que virou episódio de podcast abaixo) após viajar da Austrália para Porto Alegre em agosto, constatamos que as empresas de transporte e turismo estão melhorando sistemas, informando e direcionando os passageiros. Porém, nem todos os viajantes respeitam as regras e acabam por aglomerar na hora de pegar a bagagem ou nas filas colocando todo mundo em risco. A solução é não despachar ou se afastar aguardando a calmaria.

Isso tem acontecido em todos os meios de transporte coletivo, portanto, optar pelo carro, moto ou bicicleta próprios é o mais seguro. Depois seria chamar carro por aplicativo, alugar um veículo ou contratar transporte privativo aplicando as tarefas de higienização explicadas no próximo tópico. Em qualquer opção, o ideal são as viagens curtas e com mínimo de paradas cruzando com outras pessoas.

O voar de avião seria o mais seguro dos coletivos se não fossem as aglomerações, o motivo é o ar filtrado e constantemente renovado. A empresa Marcopolo criou um ônibus com o mesmo sistema de ar e outras tecnologias como cortinas antimicrobianas, radiação ultravioleta automática no banheiro após o uso e sensores para acender a luz. Por enquanto, o Biosafe existe em duas linhas no Brasil: entre Porto Alegre e as cidades Santana do Livramento e Santa Rosa, o primeiro com paradas em municípios da Campanha Gaúcha e o segundo na região das Missões. Luciano Nagel fez essa viagem em agosto e relatou no final desse episódio do Tesão de Ouvir.

Faça tudo o que puder de forma online evitando contato direto com funcionários e tempo em ambientes fechados. Se não for possível, veja os procedimentos a seguir.

O que fazer nos ambientes compartilhados com outras pessoas

Muitos estabelecimentos se adaptaram e criaram protocolos de higiene e segurança. Alguns implementaram o selo Turismo Responsável, do Ministério do Turismo do Brasil, outros criaram seus próprios selos ou utilizam o estabelecido pelo município, região ou rede.

O governo federal criou o selo Turismo Responsável fornecido para mais de 21 mil serviços e empreendimentos turísticos brasileiros que tenham adotado uma série de protocolos sanitários para combater o coronavírus. 

Em teoria, se tem o selo, pode confiar, no entanto, não há fiscalização. O jeito é nós turistas termos maior responsabilidade pelos nossos atos, cobrarmos e denunciarmos quando as normas sanitárias especificadas não estão sendo seguidas. A seguir deixo outra lista de ações a considerar no planejamento da viagem e dia-a-dia.

Tarefas e escolhas

  • Respeite as orientações e marcações locais para evitar aglomeração como manter a distância de 1,5 metros de outras pessoas fora do seu ciclo íntimo.
  • Prefira atividades ao ar livre. Mas se o local estiver lotado, troque por outro.
  • Lave as mãos ou passe álcool gel ao sair e entrar em ambientes e antes de se alimentar.
  • Ao chegar ao hotel, restaurante ou ambiente onde vai passar um tempo, higienize as superfícies e equipamentos a serem utilizados. As pesquisas mais recentes indicam 28 dias o tempo de sobrevivência em superfícies sem desinfetar.
  • Não compartilhe objetos de uso pessoal. Eu não ofereço mais o chimarrão, por exemplo.
  • Priorize os locais com selo de segurança, serviços por QR code ou online. Se não for possível, higienize as mãos antes de comer e após deixar o local.
  • Utilize uma nova máscara após as refeições, mas prefira comer ao ar livre, longe da corrente do ar condicionado e de outras pessoas fora do seu convívio. Se for buffet, evite falar perto dos alimentos.
  • Troque de roupa ao chegar da rua.
  • Higienize o celular e o cartão frequentemente, estão entre os objetos onde o vírus sobrevive por 28 dias.

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Conclusão até o momento

A pandemia ainda não acabou e o momento exige responsabilidade e planejamento. Se não se sente seguro ou não quer ver esse mundo cheio de protocolos, comece sendo turista na própria cidade ou fique em casa mais um tempo pesquisando. 

Por fim, tenha você os seus protocolos de forma mais confortável possível (jamais esquecendo o bem coletivo, ok!). Afinal, viajar deve ser prazeroso!

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

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Roberta Martins

Roberta Martins

Comunicadora, criadora de conteúdo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 14 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora.

2 comentários

  1. Aqui é a Camila da Silva, e quero parabenizar você pelo seu artigo escrito, muito bom vou acompanhar o seus artigos.

  2. Gostei do assunto de sua publicação.

    Sds.
    Hermes

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