EQUADOR

Estada no Hotel de Campo Sierra Alisos


Para uma pausa na viagem pelo Equador ou adaptar o corpo a altitude da Cordilheira dos Andes, que tal se hospedar em um hotel fazenda bem próximo a Quito? Além do conforto da casa, das trilhas energizantes rodeadas por vulcões e da gastronomia deliciosa, presenciamos a rotina de uma fazenda produtiva, incluindo uma breve aula para fazer queijo. A seguir conto como foi especial essa estada no Hotel de Campo Sierra Alisos.

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A Fazenda Tambillo Alto

Localizada em um vale nas encostas do vulcão Atacazo e entre as montanhas Corazón, Cotopaxi, Iliniza, Rumiñahui e Pasochoa, Sierra Alisos é opção de hospedagem entre Quito e a Avenida de Los Volcanes.

A pousada surgiu após o início do reflorestamento justamente para ser uma fonte de renda com objetivo de manter a conservação e impedir o avanço agrícola.” nos conta o proprietário Raul Guarderas.

Como resultado de reintroduzir a mata nativa, percebeu o benefício na qualidade do solo por alguns metros entrando na área de plantações. Os bio corredores atraem aves e produzem nutrientes naturais para a plantação ao lado, eliminando o uso de agrotóxicos não naturais. O solo fértil se regenera, a produção agrícola é de qualidade e um refúgio para turistas.

Campo verde com bosques, vacas e montanhas ao fundo. Céu nublado na Sierra Alisos
Corredores de mata nativa no meio da fazenda

Além disso, na Fazenda Tambillo Alto todos os funcionários são mulheres que fazem o trabalho pesado como qualquer homem e levam seus filhos para ficar por perto. Eles se entretêm com os animais e toda a natureza ao redor.

Terneiro branco e preto com brinco na orelha e olhos esbugalhados. Propriedade da Sierra Alisos.
As vacas são leiteiras e não tem números, são nomes batizadas a cada nascimento

Hotel de Campo Sierra Alisos

O interior da sede da fazenda e local de hospedagem lembra a Casapueblo do Uruguai, pelo labirinto e textura da parede branca. Quando mencionei essa impressão, Raul abriu um sorriso e disse ser essa exatamente a inspiração após o seu pai ter conhecido Villaró, o famoso artista uruguaio.

Sierra Alisos: casa branca com gramado verde e telhado vermelho com jardim na frente. Céu azul entre nuvens.
Hotel de Campo Sierra Alisos

O Hotel de Campo Sierra Alisos recebe hóspedes de maio a fevereiro em 6 quartos com capacidade para 35 pessoas, sendo até 5 por acomodação. A estada pode ter pensão completa com café e jantar preparado com ingredientes produzidos ali mesmo ou de produtores da região.

As suítes são aconchegantes com diferentes configurações, algumas são para famílias e outras para casais. Todas com janelas amplas para o campo, deixando entrar a iluminação natural, e aquecedor.

Minha suíte Huiragchuro

O meu quarto se chamava Huiragchuro, vinha com banheira, água disponível para beber e um mezanino com mais duas camas de solteiro abrigando até 4 pessoas.

Poltrona vermelha em frente a janela com vista para o campo verde e jardim. Parede branca, mesa com lenha e aquecedor a lenha no Hotel de Campo Sierra Alisos
Suíte com vista para o campo

No Booking.com a nota do Hotel de Campo Sierra Alisos é 9,6 Excepcional.

Sala de estar com sofás na cor laranja  e listados com roxo. Tapete vermelho, quadros preto e branco antigos na parede branca ao lado da lareira. Janela para plantas verdes.
Sala de estar com lareira

A noite nos reunimos na sala para agradáveis conversas junto a lareira até o sono nos vencer. Na manhã seguinte uma surpresa, finalmente visualizei o vulcão Cotopaxi sem nuvens em um dia de céu azul ensolarado. Mas era hora de ir embora, mesmo com vontade de ficar dias por ali.

Vulcão Cotopaxi, montanhas e árvores. Céu azul entre nuvens.
Vulcão Cotopaxi

Se hospedar no Hotel de Campo Sierra Alisos é um bom ponto de partida para viajar pela Cordilheira dos Andes pela tranquilidade enquanto o corpo se adapta a altitude. Pode começar a fazer trilhas ao redor da casa e ir mais longe conforme os efeitos vão diminuindo. Lembrando como toda vez que descer 2, 3 mil metros de altura por alguns dias, como viajar para Galápagos ou Amazônia, o corpo pode precisar se adaptar de novo, inclusive para caminhar pelos altos e baixos de Quito. Estava bem adaptada na capital, mas após voltar dos 6 dias em Galápagos a sensação de pressão e falta de fôlego voltaram como no primeiro dia, embora a adaptação seja mais rápida.

O que fazer em Sierra Alisos

Rodeada por vulcões famosos do Equador como Cotopaxi e Pasochoa

Trilha na propriedade

O pasto verde é alimento natural para as vacas e os caminhos entre os campos são embarrados e com estrume fácil de atolar os pés, mas a propriedade oferece botas de plástico e recomendo pegar sempre que sair para caminhar. Desse modo, pode entrar nos bio corredores, percorrer as estradas de terra ou participar de uns dos programas de bem-estar oferecidos sem se preocupar tanto onde pisa.

Campo verde com bosques e muitas árvores, um caminho marcado por troncos. Céu nublado no Hotel de Campo Sierra Alisos
Caminhos pela fazenda

Ao entrar no bosque o clima muda, fica úmido, mais escuro e precisa abrir caminho, por isso é melhor entrar com Raul, também para não se perder. Ele dizia estarmos bem perto da casa e eu não tinha a menor noção de distância quando subimos uma escada e ali estava a sede.

Raul nos levou a um ponto energético entre rochas e árvores. Ali recomendou tirar os sapatos e tocar na pedra de origem vulcânica. Minutos após vem a sensação de frescor subindo dos pés como se estivesse saído de um spa. E foi só uma amostra do programa banho de floresta do Hotel de Campo Sierra Alisos.

Mulher morena, com calça preta e blusa marrom, deitada em tronco de árvore em meio a natureza verde.
Liz tomando banho de floresta

Demonstração de como fazer queijo em Sierra Alisos

Primeiro visitamos o local onde as vacas são ordenhadas e Raul pede para separar o leite para a nossa experiência. O líquido saí quente do animal e precisa estar a uma certa temperatura para iniciar o processo, portanto, fomos caminhar um pouco antes de voltar a cozinha.

Retornamos para a sede e a mesa estava pronta com os utensílios nos esperando. No leite foi inserido o coalho (vem do estômago da vaca e faz o soro se separar da parte densa que vai virar o queijo) e ficou em descanso por 20 minutos.

Mãos pressionam coalhada com líquido em pote de cerâmica branco, líquido cai em pote maior de cor amarela.
Fazendo queijo

A nossa parte é separar a coalhada originada desse processo espremendo com as mãos, então basta deixar algumas horas de descanso. Era final de tarde e comemos no café da manhã do dia seguinte. Estava maravilhoso! E o soro não foi jogado fora, é utilizado em algumas receitas da casa.

Mesa posta no café da manhã da Sierra Alisos com queijos, azeite, suco de melancia, açúcar, banana e picada. Cerâmicas brancas em toalha florida em tons rosa, laranja e azul. Toalha verde ao fundo.
Queijo feito por nós

Passarinhar

Durante as caminhadas no bosque, Raul vai explicando sobre a fauna e flora. Parando quase sempre ao escutar uma ave, logo conta sobre ela mostrando sempre que possível. Desde o crescimento do reflorestamento, a mata nativa protege os córregos e isso fez alguns pássaros ficarem permanentemente por ali, sem necessidade de buscar alimento em outros territórios. Essa é uma das alegrias de Raul, ele chega a fazer gestos de maestro de orquestra quando escuta um canto de passarinho.

Desfrutar do café da manhã na fazenda

Desde a adolescência, não comia uma nata tão maravilhosa quanto experimentei no Sierra Alisos. Para muitos, nata nem é considerada boa, mas quem já provou uma fresca (leite retirado da vaca horas antes) sabe o que estou falando.

Então descobri que a região Mejía produz o leite de melhor qualidade do país, obviamente, todos os derivados produzidos por ali são maravilhosos.

Além da cozinha deliciosa da Sierra Alisos, pode ir até a cidade próxima, Machachi para descobrir outros sabores.

Jantamos na La Posada del Chagra, uma comida típica do campo e da região com o sabor de mais de 60 anos de tradição. O restaurante está na quarta geração da mesma família nos contou Rafael Centeno enquanto eu me deliciava com um Curuchupa.

Onde: na rodovia E-35, Troncal de la Sierra, Machachi.

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Mais opções

Outras atividades podem ser arranjadas como passeio a cavalo, de bicicleta e massagem ou nos arredores.

O Parque Nacional Cotopaxi fica uma hora de distância, entrando em Machachi, e o centro de Quito cerca de 45 minutos, podendo variar conforme o trânsito da rodovia Panamericana.

Como chegar a Sierra Alisos

Sierra Alisos Hotel de Campo é perfeito para os dias da chegada ou partida por ter rápido acesso ao aeroporto, mas com localização no meio do mato, tornando tranquilo o período de adaptação à altitude conforme mencionado no início. Embora longe no mapa, não precisa passar pelo intenso tráfego de Quito e acaba chegando muito mais rápido do que se hospedar na capital. Por via fluída, leva cerca de 1 hora da Fazenda Tambillo Alto até o Aeroporto Mariscal Sucre.

A Fazenda Tambillo Alto está localizada em Mejía, ao sul de Quito, na província de Pichincha. Quem vem de Quito deve seguir pela Avenida Simon Bolívar até o vilarejo de Tambillo, então cuidar a sinalização para entrar à direita na C.25, a entrada estará logo após cruzar uma linha férrea. Se vem do aeroporto, deve pegar o Conector Alpachaca em direção à rodovia E-35 ou na mesma Avenida Simon Bolívar no caminho explicado acima.

Ou pode pedir para Liz Ramirez, da Quinti Travel, organizar esse roteiro para você. Ela foi o nosso transporte e companheira durante a estada.

Mulher morena veste jaqueta quente verde, calças preta e fotografa a natureza segurando uma garrafa azul. Tronco de árvore e céu nublado.
Fotos na natureza e sempre com a garrafa de água na mão. (© Crédito Ana Duék, do Viajar Verde)

O que levar

Faz bastante frio, principalmente quando não tem sol. Mas pode esquentar durante as caminhadas, portanto, é bom se vestir em camadas, colocando ou tirando o casaco conforme a sua temperatura corporal.

Ande sempre com a garrafa de água para se manter hidratado e aliviar o mal de altura.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais. Imagens sem marca d’água de Ana Duék.

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Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 16 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

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