Revolução Farroupilha

Por que se comemora a Revolução Farroupilha até hoje?


Primeiro é preciso compreender o quanto o tema Revolução Farroupilha é natural para quem nasce e estuda no Rio Grande do Sul. Principalmente nas cidades de fronteira e pampa onde as tradições resistem há quase duzentos anos após a guerra ter moldado valores e a personalidade do gaúcho do sul do Brasil (é bom lembrar que argentinos, uruguaios e alguns chilenos também são gaúchos).

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Estado em alerta com bandeiras vermelhas e laranjas para Covid-19. Vermelha significa estabelecimentos não essenciais fechados. Enquanto laranja permite serviços atendendo com metade da capacidade para evitar aglomerações.

Nota do editor: aqui no Territórios, nossa prioridade é fornecer aos leitores as informações necessárias para tomar decisões sobre viagens, além de inspiração e conhecimento. Este não é o melhor momento para turismo presencial, mas estamos compartilhando dicas que podem ser úteis em viagens essenciais que precise fazer.
De qualquer forma, pode ser agradável planejar uma viagem futura ou aprender algo lendo nossas experiências. Continue conosco.

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Por que se comemora a Revolução Farroupilha até hoje?

O fato histórico está nos livros didáticos, em nomes de ruas e cidades, nos brinquedos, no vestuário, na bandeira do Estado, na comida e em tantos elementos do cotidiano que poucos rio-grandenses se fazem esta pergunta. E digo por mim, sou vizinha da fronteira e cultivo algumas tradições de forma tão rotineira que nunca havia parado para pensar nisto até morar em São Paulo.

Com dois anos já tomava o meu chimarrão sozinha
Com dois anos já tomava o meu chimarrão sozinha

 

Bazar Sallaberry
Brinquedo da Revolução Farroupilha no bazar da Salaberry em Pelotas

Foram anos ouvindo deboches, questionamentos e até me sentindo estrangeira por ser tão diferente do resto do Brasil. Mas foi ótimo sair do contexto e ver tudo do lado de fora. Alguns pontos fiz questão de valorizar ainda mais, outros comecei a achar um exagero e concordava com a opinião dos novos amigos. Mas quando voltava para casa da família, eu queria justamente aquilo encontrado só por lá. Mesmo reclamando, me sentia em casa. É o tal do orgulho que vem desde aquela época em que o povo se uniu para buscar algo melhor e mais justo.

Então surgiu a oportunidade de percorrer os caminhos farroupilhas como roteiro turístico prometendo boa gastronomia, hospitalidade e cenários históricos. Embora houvesse incerteza se encontraria isto em todos os locais, decidi partir para a viagem de carro entre amigos e buscar minhas origens, atrativos e uma pergunta:

 

Por que se comemora a Revolução Farroupilha até hoje?

Conversei com pessoas nas 17 cidades por onde passei e nem todos sabiam me responder. Apenas diziam gostar ou tinham um discurso na ponta da língua. Gravei boa parte desses depoimentos para tentar traduzir para o resto do Brasil o sentimento regional sobre o tema, e não é que ele varia bastante! No início nem sabia como seria a edição, mas com todas essas paisagens foi fácil e virou o vídeo resumo da viagem.

A MINHA RESPOSTA:

Eu acho que devemos comemorar por vários motivos. Primeiro, é importante saber de onde viemos, porque somos assim e como é possível sim, lutar pra mudar o que não está certo. Mas vocês perderam a guerra! Diz a maioria sem saber que existiram conquistas, assim como houve perdas para ambos os lados.

Vivem do passado! Dizem outros sem perceber como é triste um povo que deixa sua essência se perder pela falta de comunicação e interesse como acontece com o artesanato no mundo ou com os aborígenes na Austrália, por exemplo. Sem conseguir se adaptar ao mundo atual e sem conhecer o próprio passado (porque os mais velhos só repassam a informação oral quando acham que os mais novos merecem saber e o conhecimento escrito não existe – leia mais aqui), aborígenes se entregam ao alcoolismo e não tem perspectiva, mesmo ganhando bastante dinheiro com o turismo.

E como uma viajante insaciável por vivenciar o inusitado e compreender o modo diferente das pessoas verem o mundo, eu saio por aí em busca de conceitos, de culturas e de personalidades. Logo, como não celebrar e valorizar toda esta riqueza presente na história dos meus antepassados e que influenciam a minha vida hoje? Eu quero que os outros conheçam e também tentem compreender ou, pelo menos, se sintam bem como eu me sinto.

 

O que não se aprende nas escolas?

Roberta Martins no cipreste farroupilha
Cispreste onde a revolução foi planejada

Definitivamente, todo gaúcho, ou filho e neto que moram em outros Estados, deveria fazer esta viagem. E vale para qualquer um interessado em roteiros históricos. É nostálgica, é linda, é gostosa de fazer e traz muitos ensinamentos que passam batido em outras situações.

Ouvir o que aconteceu na sombra daquela árvore de 300 anos tocando no tronco… Imaginar a cena do relatado pelos personagens estando na casa deles… Ou caminhar por ruas onde o tempo parece não ter passado tem uma percepção muito mais valiosa e duradoura do que ensinam os livros e professores em sala de aula.

E aí cai a ficha! Não foi bem isto que eu aprendi no colégio ou vi na minissérie, era mais poético, heroico, justo… Costumam valorizar o lado bonito e passam por cima do que talvez não seja interessante mostrar como os lanceiros negros traídos; o medo das mulheres perante a figura masculina; a motivação mais pelo lucro do que os ideais de liberdade, igualdade e humanidade e vários outros detalhes sombrios da revolução. A cada conversa eu aprendia algo novo, as coisas faziam sentido e a história ia ficando mais interessante. Mas há controvérsias entre cidades e guias. O melhor é ir repetindo as mesmas perguntas, consultar outras fontes e tirar suas próprias conclusões.

E você, ficou com vontade de fazer a #RotaFarroupilha? Ou tem resposta pra minha pergunta? Sou toda ouvidos nos comentários.

Leia todos os artigos postados aqui sobre a Rota Farroupilha

Fotos de Roberta Martins, Alexandra Aranovich e Paula Brum.

Guia RS pra levar na viagem e ler em qualquer aparelho

Esta cidade é um dos destinos da Rota Farroupilha. Se prefere ter todo o conteúdo sobre este itinerário para consultar durante a viagem e ainda ter sugestão de roteiros com mapa interativo detalhado, adquira o guia Guia RS Rota Farroupilha >>

A viagem #RotaFarroupilha é um projeto do Territórios em parceria com As Peripécias de uma FlorCafé ViagemMochilinha Gaúcha e participações especiais de Andarilhos do Mundo e da jornalista Criz Azevedo. O roteiro teve o apoio de empresas regionais como BC&M Advogados e Agropecuária Sallaberry, além do suporte do Sebrae Costa Doce e de algumas secretarias de turismo. A ideia surgiu ao saber da Rota Caminho Farroupilha elaborada pelo Sebrae RS. É oferecida como pacote turístico pela Tchê Fronteira Turismo.

© Todos os direitos reservados. Fotos e relato 100% originais.

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Roberta Martins

Roberta Martins

Publicitária, geradora de conteúdo sobre turismo, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 13 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e ecoturismo. Saiba mais na página da autora.

2 comentários

  1. Discordo. Não acho que deveríamos comemorar essa guerra (que ao meu ver, nem revolução foi), não fora uma guerra do ou pelo povo. E sobre o que não ensinam nas escolas, pq não descreve sobre o massacre dos porongos? A traição aos escravos?

  2. Adorei você pequenina com o chimas. Lindo texto, Rô 😉 Bjoca

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