Uma das dúvidas que mais traz leitores a este texto é bem específica: pisar em cocô dá sorte? E muda alguma coisa se foi com o pé direito ou esquerdo? A resposta depende do lugar, da família e de quem está contando o causo. Em algumas versões, o acidente anuncia dinheiro; em outras, o lado do corpo é que define o presságio.
Curiosidades e origens de 13 superstições pelo mundo
Superstições se confundem com lendas e folclores de lugares, por isso é tão interessante ver os costumes pelo lado cultural. Não é uma questão só de azar ou de sorte, de acreditar ou não. É sobre conhecer rumores, pessoas, símbolos e ter histórias para contar. No Brasil, muitas desses contos continuam vivas em festas e manifestações culturais, como acontece no Festival Folclórico de Parintins.
1. Merda atrai dinheiro e prosperidade
Para os russos, ser atingido por cocô de pássaro significa presságio de riquezas. Já para os japoneses, é bom sinal, assim como desejar merda a um artista antes do espetáculo é bem-vindo. Essa última variação da crença veio da França na época em que o transporte era puxado por cavalos e eles defecavam toda a frente dos teatros. Quanto mais fezes, mais o local estava lotado e isso significava sucesso de público.
2. Pisar com o pé direito
Diversos povos antigos relacionavam coisas ruins ao lado esquerdo e coisas boas ao lado direito, e isso se difundiu em várias lendas pelo mundo. Por exemplo, levantar-se com o pé esquerdo é sinal de mau humor e começar qualquer coisa com o pé direito é motivador. Entre as possíveis origens, ou pelo menos o responsável pela difusão, foi o povo romano com seus conceitos de bem e mal.
Sorte é bom, tênis limpo também.
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3. Quando derrama o sal, traz azar, quando deixa cair açúcar, é sorte
A referência ao tempero viria do famoso quadro da Santa Ceia, de Leonardo da Vinci, na qual Judas deixa cair um saleiro. Por causa desta pintura, as pessoas criaram essa crença e jogar sal por trás do ombro esquerdo ajuda a recuperar a prosperidade.
O conto é uma lenda popular entre os povos turcos. Todo infortúnio seria culpa do anjo mau que vive no nosso ombro esquerdo e tenta nos prejudicar. Para evitar desgraças, o segredo seria cegá-lo jogando uma pitada de sal nos olhos dele.
A explicação para derramar açúcar não encontrei. Imagino ser pela lógica do oposto, é doce enquanto o sal é salgado. O que não faz o menor sentido, afinal, o tempero também é visto positivamente em outras situações, como neutralizar energia negativa.
4. Por que passar embaixo de escada dá azar?
Algumas superstições são explicáveis, afinal, se há uma escada, deve haver uma obra. Algo pode cair em nossa cabeça se passarmos por baixo, melhor desviar. Além disso, há duas teorias para a crendice:
- no tempo das guerras medievais, derramavam óleo fervente sobre as escadas usadas para invadir as muralhas. A dor teria criado o receio inconsciente e esse passado por gerações até hoje.
- o triângulo formado pela sombra da estrutura encostada em uma parede representa a Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo). Passar debaixo dela seria como profanar o triângulo sagrado, como um dogma cristão jamais deve ser ameaçado, fazê-lo é um pecado gravíssimo.
5. Tatuagem deve ser número ímpar
Essa ideia, seguida fielmente por muitos, vem de um naufrágio pirata na Europa entre os séculos XV e XVII. Todos os tripulantes com um número par de desenhos morreram, enquanto todos com uma quantidade ímpar sobreviveram. Desde então, quem faz tatuagem segue a crença de azar, se fizer duas, tem que fazer a terceira e assim por diante.
6. Deixar o chinelo virado dá infortúnio ou causa a morte da mãe
Essa história está relacionada à moda dos chinelos no Brasil nos anos 60. Como muitas casas ainda não tinham acabamento no chão, os calçados ficavam mais sujos se estivessem com a sola para cima, daí essa falsa maldição cujo objetivo era fazer os filhos não largarem os calçados de qualquer jeito.
7. Quebrar espelho dá sete anos de azar
Era uma lenda grega, posteriormente adaptada ao surgimento dos espelhos. Para saber o futuro, os gregos olhavam seu reflexo na água, o azar era derrubar a água e quebrar a cerâmica. Com o surgimento do espelho, esse medo foi uma forma de os criados terem mais cuidado ao manusearem o objeto valioso.
8. Quando um gato preto ou uma coruja cruzam o nosso caminho
Gato preto é sorte para alguns e infortúnio para outros em diferentes regiões do mundo. A fama de azar é associada às bruxas na Idade Média. Devido aos hábitos noturnos dos felinos, acreditavam que as mulheres se transformavam nos bichanos.
Da mesma forma, se deparar com uma coruja traz diferentes interpretações. No Egito, significa mau agouro e no Quênia é símbolo de morte; já na América do Sul é sabedoria.
9. Superstições de Réveillon
A virada do ano nos remete a uma série de superstições de prosperidade, como:
- O hábito de comer lentilhas veio dos imigrantes italianos. Eles acreditavam que bastava uma colher de sopa perto da meia-noite para garantir o novo ciclo de fartura à mesa.
- Comer uvas no Réveillon vem de Portugal. Lá a quantidade corresponde ao número da sorte de cada um. Aqui no Brasil são 12 uvas, como as horas no relógio, e deve ser feito um pedido a cada ingestão. Na minha família, de origem germânica e portuguesa, não importa a quantidade da fruta, e sim as sete sementes para guardar na carteira e ter dinheiro o ano todo.
- Vestir branco e pular sete ondas têm influência africana. A cor representa luz, pureza e paz. Molhar os pés representa, além de uma homenagem a Iemanjá, purificação para renovar as energias para o novo período.
- Tirar a mala do armário e dar uma volta pelo quarteirão com ela vazia para garantir muitas viagens nos próximos meses é uma crença na Venezuela. Aqui no Brasil, há variações como andar em casa com a bagagem ou correr sete vezes em volta dela ao bater da meia-noite.
Como pode ver, a virada de ano é uma das épocas mais carregadas de superstições. Elas mudam conforme o país e a cultura, mas quase sempre revelam o mesmo desejo: começar uma nova fase com um pouco mais de sorte.
10. Orelha vermelha quando falam de você
Sinto informar, mas se a sua orelha está pegando fogo, estão falando mal de você. Esse mito ganhou força na Europa medieval quando julgavam que a pessoa estava sendo vítima de feitiço.
11. 13 e outros números
Boa parte das superstições está relacionada a números e o 13 é o mais comum. Pode ser sorte em alguns lugares e infortúnio em outros. Por exemplo, nos Estados Unidos, determinadas companhias aéreas não têm assentos com o 13 e alguns prédios são construídos sem o 13º andar. Aqui no Brasil, esse andar não aparece em alguns elevadores e a sexta-feira 13 gera desconfiança, já o 13º salário é sempre bem-vindo. Na Espanha, o dia do azar é a terça-feira 13.
Conforme os manuscritos mais antigos que mencionam o número, a crença teria origem nórdica quando 12 deuses foram convidados para jantar e Loki, deus da discórdia, apareceu de penetra, totalizando 13 pessoas. Uma das divindades quis expulsá-lo e acabou morto. Por esse motivo, escandinavos evitam jantares com essa quantidade de pessoas até hoje. O misticismo foi reforçado entre os cristãos também com referência à Última Ceia, porque o jantar totalizou 13 pessoas. Além disso, Jesus foi crucificado justamente em uma sexta-feira.
Na Austrália, o numeral do azar é 87, popularizado nos jogos de críquete, quando um jogador alcança essa quantidade em pontos, dizem ser o “número do Diabo”. Lembrando que uma centena é formada por 87 mais 13.
Sendo um dos países mais supersticiosos, a Itália também acredita no 13 como sinônimo de má sorte, mas o 17 é bem pior, principalmente se cair em sexta-feira. É símbolo de morte, por causa da escrita dos algarismos romanos “XVII”, lembrar a palavra “vixi”, que significa “eu vivi” em italiano. O termo VIXI é comum em tumbas romanas.
12. Bater na madeira para espantar o azar
Uma das origens é a crença de que as árvores são a morada dos deuses, pensamento compartilhado entre os indígenas do continente americano. Quando se sentiam culpados, os americanos batiam no tronco para pedir perdão. A outra vem dos druidas. Os sacerdotes celtas da Europa davam toques nas nelas para afugentar os maus espíritos, porque eles acreditavam que as natureza mandavam os demônios de volta às profundezas.

13. Olho Grego
Se o amuleto aparecer rachado, significa ter cumprido a sua função de proteção contra as energias negativas. Também conhecido como Olho Turco, ou Nazar, é um talismã usado há séculos por religiosos islâmicos no Mediterrâneo, principalmente na Grécia e na Turquia. Inclusive, uma lenda conta que um homem ter conseguido estourar só com a força de um olhar invejoso, uma rocha maciça.
Quem visita os bazares de Istambul encontra o Nazar em chaveiros, joias, objetos de decoração e todo tipo de souvenir. Já na Grécia, o amuleto faz parte da paisagem e das lojinhas, inclusive em destinos do Mar Egeu como Paros.
Para quem adora descobrir a origem das superstições
Alguns livros ajudam a entender como essas crenças surgiram, viajaram entre países e continuam presentes no nosso dia a dia.
Agora me conta, você é supersticioso?
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6 Comments
escutei, adorei a resposta dos piratas, não sabia dessa, como não ando de barco deixar par agora hahahah e aliás adoro seus registros de viagem
Fico feliz em saber e agregar algo pra você.
Tenho uma versão parecida com a frase “merda para você” Quando do final das apresentações teatrais na Inglaterra , o sucesso era mensurado pela quantidade de estrume que ficava na entrada do teatro.. quanto maior o volume, indicava a presença de muitas carruagens, trazendo mais pessoas para assistir a peça e consequentemente maior bilheteria!
Acho que a lenda é a mesma e as pessoas vão modificando com o tempo para se adaptar a cada região. Nunca vamos saber ao certo.
Não sou supersticiosa. Acompanho todas as semanas e adoro os temas.
Bjs
Obrigada pela companhia Dar, também não sou, ou melhor, depende do momento, kkk