Aluguei uma caminhonete 4×4 com barraca em cima e saí pela Namíbia de carro por conta própria, sem guia, sem ranger e sem acesso à internet fora dos centros urbanos. Foram dez dias com emoção, paisagens espetaculares e uma sensação de que todo o cuidado é pouco, simplesmente porque não havia ninguém por perto na maioria das estradas por onde passei.
Sim, um bom planejamento é fundamental e deu certo para mim. Os pequenos contratempos foram resolvidos em poucas horas. Mas avaliando hoje, o risco era muito real e várias coisas poderiam ter dado errado.
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Algumas alternativas para viajar pela Namíbia
Caso queira fazer essa aventura com um pouco mais de segurança, existem operadoras com saídas programadas para os principais destinos do país em caminhões adaptados e acompanhados por guias especialistas em vida selvagem. Eles cuidam do planejamento, da estrada e eu só descartei essa opção porque as datas não encaixavam com os meus dias de chegada e partida.
Também há receptivos especializados em organizar todo o percurso pela Namíbia de carro com ou sem luxo. Você dirige por conta própria como eu fiz, mas tem alguém para pedir ajuda desde o planejamento até os perrengues durante a viagem. Descartei esse serviço perfeito por ser caro demais para o meu orçamento na época.
Diversas empresas alugam carros preparados para fazer esses trajetos na Namíbia, mas recomendo fortemente contratar uma agência especializada aqui no Brasil. Fiz assim por achar mais seguro e eles salvaram o meu roteiro quando tive um contratempo logo na saída do aeroporto. Entrei em contato com eles pelo WhatsApp e prontamente resolveram com excelente atendimento. A empresa indicada agora é minha parceira e até consigo um desconto para quem tocar no botão e enviar uma mensagem com pedido de orçamento.

Portanto, avalie bem as alternativas antes de fechar o aéreo. Aproveite para ir monitorando preços no Skyscanner ou Kayak, ative o alerta para ser avisado de ofertas.
Como é percorrer a Namíbia de carro
Muitas famílias viajam de carro e acampam pela liberdade e pela estrutura que o país oferece para quem gosta desse estilo de viagem. Dá para fazer safari praticamente saindo da área protegida do camping, dormir sob um céu estupidamente estrelado ou escolher ficar perto da atração do dia seguinte. No nosso caso, era um campervan com todos os utensílios necessários para preparar as refeições e ter uma boa noite de sono em uma barraca super fácil de montar. Literalmente levamos a cozinha e o armário no porta-malas.
Fica a dica: depois de completar o roteiro, percebi que chegar por Windhoek e voltar por Walvis Bay, ou ao contrário, teria sido bem mais prático considerando logística, distâncias, qualidade das rodovias e até mais econômico no aluguel, afinal um motorista levou e buscou o 4×4 da capital até o aeroporto por onde cheguei.
Preparativos antes de pegar a estrada na Namíbia
Para documentação, clima e outras informações práticas, acesse também dicas para viajar pela Namíbia. A seguir detalhes para quem vai de carro.
Embora o país não tenha restrições quanto à CNH brasileira, exige uma tradução juramentada em inglês e as leis sempre podem mudar. Portar a Carteira Internacional de Habilitação é o documento mais seguro para levar junto com o passaporte e a habilitação nacional.
Na hora de escolher o carro alugado, priorize uma caminhonete 4×4 com boa altura do solo e dois tanques de combustível. A maior parte das estradas percorridas é de terra, cascalho ou areia fofa, com riscos reais de derrapar, capotar e atolar. Ter combustível extra fez a diferença porque há longos trechos sem posto de gasolina. Se optar pela barraca no teto, certifique-se de ter todos os utensílios de que possa precisar no acampamento. Na nossa caminhonete, só faltou o adaptador para a tomada brasileira, mas dei sorte que um outro viajante tinha extras e me doou.
Tenha atenção à contratação do seguro do carro, procure a cobertura mais completa possível, principalmente para pneus e vidros. Confira também se o veículo está com estepe em boas condições, saiba como trocar e tire fotos de qualquer dano visível como prova na hora da devolução. E reserve ao menos duas horas para a retirada considerando papelada, vistoria, pagamento e explicações sobre a barraca e uso dos equipamentos inclusos.
Os riscos de dirigir pela Namíbia e o que fazer em cada situação
Leões, rinocerontes e elefantes andam soltos e podem implicar com o seu veículo ou outras espécies podem cruzar a estrada do nada e causar acidentes.
O que fazer: dirigir devagar e atentamente, não parar para chegar perto dos animais perigosos de forma alguma. Apenas observe e guarde o momento na memória.
Animais selvagens estão livres e você preso no carro
Fizemos safari por conta própria no Parque Nacional Etosha. Elefantes e rinocerontes podem danificar ou até capotar o carro com facilidade, portanto, evite chegar muito perto (aprendi com um ranger durante o meu primeiro safari no Quênia e coloquei em prática algumas vezes nesse roteiro).

Tem banheiros e áreas de descanso em diversos pontos, mas pode ter um animal lá dentro e o encontro pode ser fatal (já aconteceu com um turista britânico). Lembro de querer descer nessas áreas e desisti pela quantidade de javalis no acostamento.
O que fazer: faça barulho, se tiver algum bicho ele pode fugir. Mulheres podem levar um urinol e tentar fazer sem descer do carro.
Tem cânions e desfiladeiros muito perto da estrada, se o pneu estoura, faz um desvio brusco ou perde o controle e cai ali, talvez nunca seja encontrado. Houve dias em que só passava outro veículo a cada 5 horas.
O que fazer: reza para ser encontrado com vida.

A maioria das rotas é de terra com cascalho, quando passa outro veículo além da poeira, se uma pedrinha bate o seu para-brisa, ele pode quebrar.
O que fazer: segurar o vidro sempre que outro carro passar (técnica aprendida com a minha mãe acostumada a dirigir no campo). Caminhonete com tração nas quatro rodas e boa altura é o ideal para o terreno. Para evitar derrapagens e capotamentos, a velocidade máxima segura é de 80 km/h.
Entenda as estradas da Namíbia
São pouquíssimas as rodovias pavimentadas e essas quase não têm acostamento, além do intenso movimento de caminhões em alta velocidade. O permitido varia entre 100 km/h e 120 km/h, mas ninguém respeita. Já a qualidade do asfalto e da sinalização estava ótima. É simples identificar quais estradas estão em boas condições pela sua letra inicial: A (melhor e mais nova); B e C são asfaltadas; a partir da D são de terra e vão ficando piores na sequência. Como fui no período de seca, não notei muita diferença entre D e M, o problema é a poeira e as pedrinhas saltando na lataria e nos vidros.
Dentro do Parque Sossusvlei há trechos asfaltados e outros de areia. Conto como foi dirigir e chegar ao Deadvlei no artigo do link. Já nos caminhos para a Costa do Esqueleto e Sandwich Harbour, é melhor contratar passeios com motorista local para evitar riscos de atolar o carro. Ali as leoas desenvolveram uma habilidade de caçar animais marinhos e ficam circulando pelas dunas.

A poeira fina entra por todos os espaços possíveis.
O que fazer: um saco protetor de mochila foi útil para não deixar o pó entrar em contato com as roupas. Já os itens sensíveis como eletrônicos, pedem um saco plástico, assim como fogareiro e utensílios de cozinha com furinhos guardados no porta-malas.

Sem dados para usar internet, não tem como traçar rotas nos aplicativos de mapa.
O que fazer: baixe o mapa do país completo no seu aplicativo preferido. Usei Google Maps e o GPS do telefone mostrava exatamente onde eu estava.
Rotas no Google Maps para viajar pela Namíbia de carro
Geralmente, o aplicativo vai mostrar o caminho por rota asfaltada, mas há várias opções. Na dúvida consultei os moradores e indicaram um mais curto por vias de terra. Fui por um e voltei pelo outro e o tempo foi o mesmo entre Walvis Bay e Etosha, cerca de 500 km em 8 horas. A estrada alternativa era deserta, sem acostamento e com animais cruzando a pista, como rinocerontes e muitos javalis. Acabamos atrasando bastante pelas freadas e velocidade reduzida, além dos riscos de furar o pneu e quebrar o para-brisa sem sinal de internet.
Na Namíbia a direção é mão esquerda e os faróis devem permanecer acesos enquanto em movimento, inclusive durante o dia.
O que fazer: se estiver cansado, pare o carro e descanse. Jamais relaxe e deixe o veículo inclinar para o lado direito e preste atenção à sinalização. Neste trajeto, percorremos cerca de 1.900 km com tempo muito maior que o previsto pelas condições das estradas, quando não era terra ou bicho, era o trânsito intenso.

Por quilômetros não tem posto de gasolina para abastecer.
O que fazer: alugue um carro com dois tanques e encha toda vez que aparecer uma bomba de combustível no caminho. Outro detalhe importante é levar dinheiro em espécie porque muitos lugares não aceitam cartão. Dólar namibiano e rand sul-africano resolvem.

Se o carro quebrar em uma estrada remota, o problema não será apenas esperar ajuda. Pode demorar horas até alguém aparecer.
O que fazer: carregar sempre água extra e alguns alimentos para situações de emergência.

Jamais viaje durante a noite!
É importante respeitar os horários de funcionamento dos parques, campings e das atrações para não chegar após o encerramento. O acesso fica aberto somente no período de luz natural e não adianta gritar no portão, vai passar a noite do lado de fora.
Aprendi isso já no primeiro dia. Fomos obrigadas a dormir em uma rest area próxima a Sossusvlei porque os estabelecimentos ao redor estavam todos fechados. Meu pavor era precisar sair do carro durante a madrugada e dar de cara com um animal selvagem. Ao longo da viagem notamos como nada fica aberto até muito tarde. Mesmo em zonas urbanas, as hospedagens trancavam as portas externas no horário do jantar, perto das 20h, e antes das 22h o silêncio e a escuridão tomavam conta.

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Camping também precisa de reserva
Barraca no teto não significa poder dormir onde der vontade. Além da questão dos animais, encontramos casais que não conseguiram espaço nos acampamentos durante o fim de semana. A nossa sorte foi visitar os parques entre segunda e quinta-feira e conseguir reservar em:
- Sesriem Campsite e Quiver Desert Camp (indicação de amigo, mas não chegamos a tempo) em Sossusvlei
- Etosha Safari Lodge e Halali Camp no Parque Nacional Etosha
A atenção precisa ser ainda maior em julho e agosto, meses de altíssima temporada. As vagas nos parques nacionais acabam com meses de antecedência.
Namíbia mapa
Use sua conta do Google para personalizar este mapa conforme o seu roteiro. Salve no seu Maps, marque pontos e trace as rotas que desejar.
É seguro visitar a Namíbia? Duas mulheres dirigindo pelo país
Essa jornada foi feita por mãe e filha e nos sentimos respeitadas em todos os momentos. O que chamou a atenção foi a ausência de mulheres no volante. Casais idosos eram a maioria, depois grupos de amigos e famílias entre os turistas viajando de carro como nós. Os receios durante o percurso eram:
- problema no veículo
- ataque de animal
- perder o horário de entrar na hospedagem

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Perguntas frequentes
Não, mas é uma aventura para lembrar com orgulho pelo resto da vida. Uma experiência única. Os meses mais arriscados são entre janeiro e março por conta das chuvas e enchentes.
Depende, no quesito furto tenho um exemplo positivo. Deixei o meu cartão de crédito cair da pochete após pagar o supermercado e nem percebi. Era um shopping e minutos depois um atendente da loja me achou e devolveu o cartão. Não sofri nenhum tipo de tentativa de roubo ou extorsão. Agora, pegar a estrada e fazer safari não é seguro e o texto acima conta todos os detalhes.
Em época de chuvas, de novembro a abril, tem enchentes e alagamentos abruptos. Fiz em junho, período de seca que se estende até outubro e garante melhores condições nas estradas, porém, há grande variação térmica entre noite e dia, principalmente no deserto.
Galeria de fotos: Namíbia de carro






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