Um imprevisto no trabalho proporcionou a incrível experiência de atravessar a América de caminhão para solucionar o problema. Conto o lado estressante e o que ficou de bom desta história, como viajar pela Route 66.

Atenção! Turistas provenientes do Brasil são obrigados a fazer quarentena de 14 dias em algum dos países permitidos antes de entrar nos EUA devido à pandemia Covid-19.

Nota do editor: Este não é o melhor momento de viajar para fora do Brasil, mas pode ser agradável planejar uma viagem futura ou aprender algo lendo nossas experiências. Continue conosco!

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Por Augustin Caceres ℹ︎

As opiniões expressas pelos viajantes colaboradores são próprias e nem sempre refletem o pensamento do Territórios. Conheça o autor ou deixe um comentário.

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Parte 1: o problema

Foi de forma inesperada que acabei realizando uma das viagens mais inesquecíveis da minha vida. Estava me preparando há meses para fazer uma feira nos Estados Unidos. Estava tudo indo bem. Já tínhamos reservado o espaço, as amostras estavam a caminho e os convites já haviam sido entregues, porém, ocorreu um imprevisto. O contêiner com todas as peças que seriam exibidas tanto na feira de Las Vegas, como em outra feira, ganhou canal vermelho na alfândega americana e complicou tudo.

A mercadoria chegou por Norfolk, que é o principal porto Americano, e lá ficou. Já haviam se passado dias e nada do fiscal liberar a importação. A feira aconteceria em pouco tempo. Foi quando o sócio do meu chefe, um italiano, decidiu me enviar imediatamente para resolver tudo. Como eu já tinha que ir para a feira mesmo, emendei tudo.

Cidadezinha no interior da Virgínia
Cidadezinha no interior da Virgínia
A minha malinha dentro do caminhão
A minha malinha dentro do caminhão

Peguei uns quatro voos diferentes e cheguei a Norfolk, cidadezinha do interior da Virgínia. Procurei na lista telefônica e localizei o endereço do armazém onde estavam os produtos. Aluguei um carro e lá cheguei. Foi hilário. Bati a porta e me apresentei:

Oi. Eu vim do Brasil. Tenho uma mercadoria parada aqui e eu não vim para fazer pressão, vim para ajudar.

Me colocaram em contato com o fiscal e consegui. Expliquei a situação toda e a urgência e o fiscal colocou meu processo em prioridade. Fiquei de voltar no dia seguinte com o caminhão para retirar o container.

Pela Carolina do Norte
Pela Carolina do Norte

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Parte 2: o susto

Encontrei meu irmão Lisandro em Virginia Beach
Encontrei meu irmão Lisandro em Virginia Beach

Tive que ficar uma noite em Norfolk e me hospedei em Virginia Beach, que fica a poucos minutos, pois meu irmão caçula estava morando ali e aproveitei para visitá-lo. Foi bem legal. Pela manhã, voltei a alfândega e correu tudo bem, salvo um pequeno incidente… quase fui preso! Estava descansando dentro do carro esperando a liberação da carga, quando três policiais bateram a minha porta e me fizeram ir até uma delegacia. Estavam me acusando de invasão de propriedade, pois o carro estava estacionado dentro de uma área restrita. Só que tinha uma guarita e eu já havia me apresentado e me registrado para entrar, dando documentos e tudo. Me liberaram rápido, mas foi cena de filme na delegacia. Aliás, tudo nos Estados Unidos é cena de filme!

O caminhãozinho pronto para sair
O caminhãozinho pronto para sair

Parte 3: planejando a viagem 

Em frente ao IHFC em High Point
Em frente ao IHFC em High Point

Carga liberada, seguimos viagem. Mandei o material para High Point, onde a empresa tinha um parceiro. Lá teria que fazer a divisão entre os produtos que ficariam nesta cidadezinha da Carolina do Norte, onde se faz a maior feira de móveis do mundo, e os produtos que seguiriam comigo para Las Vegas. Segui dirigindo no meu carro alugado e, à noite, estava já no destino.

O tempo era corrido. Separamos todo o material e não teve outra opção. Decidimos alugar um caminhão pequeno e o carregamos com os materiais que seguiriam comigo para Las Vegas, sendo que a feira começaria já na semana seguinte.

Ter o veículo foi muito simples, bastou telefonar para uma locadora de caminhões de mudança e pronto, em poucos minutos já tínhamos o caminhão a nossa disposição. Enviar o material por transportadora comum demoraria muitos dias, pois a carga teria que atravessar os Estados Unidos de leste a oeste e precisava acompanhar de perto. Como não tenho carteira de habilitação para caminhões, fiquei de copiloto para meu colega americano que aceitou a pequena tarefa: fazer 4.000 km em quatro noites.

Ao todo, acabei visitando doze estados nessa viagem. Atravessei Virginia, North Carolina, Tennessee, Arkansas, Oklahoma, Texas, New Mexico, Arizona e Nevada, com direito a passar ainda pela pontinha da Califórnia e, depois de tudo, ainda fiz uma visita a um cliente, viajando para outros dois estados no norte do país: Illinois e Wisconsin. 

E a viagem estava apenas começando...
E a viagem estava apenas começando…
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O trajeto de 4.000 km percorrido em quatro dias
4.000 km em quatro dias

O roteiro Rota 40 (route 66)

Rio Mississipi
Rio Mississipi

Começou pela Carolina do Norte, um estado verde, com montanhas leves e estradas cheias de curvas. Depois entramos no Tennessee. Aos poucos, o relevo foi ficando plano e acabamos atravessando o lindo Rio Mississipi. Passamos por Arkansas, que se nota como um estado mais pobre para padrões americanos, e a noite em Oklahoma City.

Parada para o xixi no meio do nada
Parada para o xixi no meio do nada

O caminho percorrido é um pouco monótono na parte central do país devido ao relevo plano. Foram uns 2.000 km de retas que não terminavam nunca até passar o estado do Texas. Chegando ao New Mexico e ao Arizona, a coisa muda bastante. É quando começam os cânions e os desertos. As paisagens são incríveis, uma das mais bonitas já vistas. Paramos em um posto local bem legal, onde pude tirar fotos, presenciar um pouco da cultura indígena americana, ver uma de suastee-peess (as ocas de lá) e escalar um mini cânion.

Trading Post são paradores
Trading Post são paradores

Uma curiosidade é por toda a estrada, nesta região árida, além de avisos dizendo para se proteger dos ventos fortes que podem derrubar os caminhões, há também sobre como se proteger das flash floods, as inundações repentinas que ocorrem do nada e sem orientação alguma. A água vem de todos os lados.

Explico: a região é montanhosa e, durante o inverno, acumula muita neve nas partes altas. Quando a temperatura começa a esquentar, na primavera, a água vai derretendo e, algumas vezes, não desce pelos rios, estanca nas regiões altas, até que alguma barreira arrebenta e a água desce com força total, inundando tudo em pleno deserto. Deve ser incrível de ver, mas dizem que é bem perigoso porque a água desce com força e arrastando tudo para qualquer lugar, sem rumo algum.

A história da Route 66

Essa rodovia começava em Chicago e terminava em Los Angeles e foi a rota principal da imigração do nordeste americano rumo às minas de ouro da Califórnia. Ela já não existe mais, mas boa parte da Route 40 compreende antigos trechos da Route 66 e há sinalização informando sobre isso. Portanto, percorremos principalmente a 40 que, em diversos trechos coincidia com a famosa 66. 

O Estádio Pirâmide em Memphis
O Estádio Pirâmide em Memphis
O Estádio Pirâmide em Memphis
O Estádio Pirâmide em Memphis

Estávamos a trabalho, por isso não havia tempo para fazer turismo. A melhor parte foi apreciar as paisagens e os restaurantes ótimos que fomos parando para almoçar e jantar. Comi de tudo, principalmente bifes gigantescos e montanhas de comida americana-mexicana.

Fomos parando em hotéis na beira da estrada e o café da manhã sempre tinha muffins, que eu adoro. Correu tudo bem. A parte triste foi que não passei pela Hoover Dam para entrar em Las Vegas. Tivemos que fazer um contorno passando pela Califórnia. Por uma questão de segurança contra o terrorismo, os caminhões estão proibidos de passar por cima desta famosa represa, por medo de que estejam transportando explosivos para fazer um ataque terrorista.

Alô, tem alguém aí?
Alô, tem alguém aí?
Chegando a Las Vegas
Chegando a Las Vegas

Fica para a próxima. Aliás, fui três vezes a Las Vegas e nunca visitei as atrações turísticas imperdíveis da região: o Grand Canyon e o Hoover Dam. Sempre fiquei enfurnado nos pavilhões de feira gigantescos típicos de lá, mas isso fica para outra matéria…

Tome Nota: estradas americanas

As estradas americanas são super simples de entender. As que têm número par são as que cortam o pais na horizontal e as que têm número ímpar são as que cortam o país de norte a sul, na vertical. A numeração vai de sul para norte, então a 40 tá quase na metade do país, mais para o sul.

Além disso, o país conta com rodovias limpas, equipadas com áreas para descanso, as rest areas, túneis para passagem de animais para minimizar o impacto ambiental e postos de informação turística perfeitos na chegada de cada estado.

Outro fato interessante é que os caminhoneiros se comunicam por rádios walkie-talkie, que eles chamam de CBs. É só comprar um e sintonizar na frequência das conversas. É muito engraçado porque anônimos ficam contando piadas e fazendo brincadeiras, além de avisar sobre tudo que está ocorrendo na estrada. Dessa forma, viajar pelos Estados Unidos é muito fácil, organizado e seguro. É uma belíssima experiência aliada a uma natureza e paisagens incríveis.

Veja mais fotos da Route 66:

Em algum lugar do Novo México
Em algum lugar do Novo México
Tepees na Route 66
Tepees na Route 66

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Você está em INICIAL » ESTADOS UNIDOS » Atravessando a América de caminhão pela Route 66
Author Augustin Tomas o'Brien Caceres

Criado em uma família onde se falava espanhol, português, portunhol, italiolo e algo de inglês. Sempre se interessou por outros idiomas e hoje mora nos Estados Unidos e trabalha com comércio internacional na LE Group Industries. Siga no Linkedin

10 Comentários

  1. Agustin Tomas Caceres Responder

    Obrigado a todos pelos elogios!

    Diego: as estradas americanas são muito seguras. Nessa viagem mesmo, foram 4.000km sem ver sequer um acidente. O que ocorre, de vez em quando, é que as pessoas se distraem usando celular ou alguém muda de faixa e, como o americano dirige igual um robo, nao tem reflexo ou agilidade apurados e acaba colidindo, mas são batidas em bobas geralmente.

    Dos Estados ‘americanos’ mais legais para se conhecer, eu diria os que estão próximos as Rocky Mountains, na regiao oeste do país. Tirando a Flórida e a Califórnia, os Estados Unidos inteiros sao ‘americanos’, só que boa parte do país é uma planície, entao nao é tao interessante de se conhecer. Já esses estados montanhosos são lindos. Nesta viagem, em especial, os mais legais foram New Mexico, Arizona e Nevada.

  2. A lendaria Route 66, já foi tema de varias canções que eu adoro, haha
    adoraria fazer essa viagem

  3. Cara…
    Parabéns! Pelo post e pela viagem! Deve ter sido MUITO bom. Cansativo, mas muito proveitoso, acredito.

    Também tenho vontade de fazer isso, mas turisticamente.

    Adorei o site.

  4. Gabriel de Melo Honório Responder

    Como eu tenho vontade de fazer esse percursso mesmo sendo a trabalho! Qndo fizer essa viagem “turisticamente” faça o review novamente… Belo post!

  5. Diego Veloso Gomez Responder

    Cara, vc realizou um sonho que tenho a tempos, que é viajar pelos estados americanos conhecedo toda sua cultura…. espero fazer isso ! me diga, existe alto nível de acidente nas estradas? Qual estado é o mais interessante para se visitar em termos de ” americanismo” um estado digamos que tradicional…
    conto com sua resposta no email

    Obrigado

  6. Calma pessoal! O nome do país é o mesmo do continente. Assim como existe São Paulo cidade e São Paulo estado, existe também América país e América continente. Exatamente por esse motivo que se usa tanto o termo ‘Estados Unidos’, que não significa muito. Vocês sabiam que o Brasil já se chamou Estados Unidos do Brasil e que o nome oficial do México é Estados Unidos Mexicanos? Chamar a América de Estados Unidos é como chamar o Brasil de República Federativa, já que nosso nome oficial é República Federativa do Brasil.
    Além disso, o termo correto para se referir às Américas do Sul, Central e do Norte é: Américas, no plural.
    E o continente americano foi quase atravessado sim, de leste a oeste, neste caso. A maior distancia horizontal a ser percorrida nas Américas é na América do Norte.

  7. “ATRAVESSANDO A AMERICA DE CAMINHÃO” PRA COMEÇAR ACHEI QUE FOSSE UMA CAMINHÃO DE VERDADE NÃO UMA QUASE CAMIONETE E ALEM DISSO VC ATRAVESOU OS EUA E NÃO FALOU QUAL AMERICA PODIA SER A DO SUL O CENTRAL !!

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