Pelotas costuma aparecer nos roteiros como uma parada a caminho do Uruguai, um destino de viagens a trabalho ou por causa das formaturas. Entretanto, basta caminhar pelo Centro Histórico, provar os doces tradicionais ou chegar à beira da Lagoa dos Patos para perceber que a cidade merece mais tempo.
A terra onde nasci e vivi a infância e a adolescência guarda grandes lembranças. É o lugar para onde eu sempre volto. Passei 18 anos morando longe e retornava para visitar a família e tentar viver como turista, mas era complicado… Antigamente, eu ficava frustrada ao perceber o enorme potencial turístico de uma cidade cheia de história, cultura, arquitetura e tradições, enquanto muitos moradores desmereciam tudo isso.
Então voltei a morar em Pelotas, ou chamar de casa quando não estou viajando, e encontrei uma movimentação diferente. Por isso, reuni nesta página as experiências que ajudam a entender o destino: os casarões, as charqueadas, a Praia do Laranjal, a zona rural, o Parque Una, a Fenadoce e os lugares que fazem parte da vida dos pelotenses.
Quando voltei a morar em Pelotas
Vi uma nova geração disposta a fazer algo por Pelotas, empresários mais abertos ao turismo, iniciativas do poder público e melhorias na infraestrutura turística. Já era hora. Afinal, o município recebe visitantes o ano todo por causa da Fenadoce e das universidades, além de ser caminho rumo ao Uruguai. Ainda assim, poucas pessoas planejam uma viagem tendo o município como destino principal.
Pelotas ainda não desperta o mesmo desejo de viagem provocado pela Serra Gaúcha ou pelas cidades históricas de Minas Gerais, por exemplo. Muitos nem percebem como aqui pode ser mais interessante do que alguns destinos famosos do Brasil.
Por esse motivo, decidi usar o Territórios para mostrar o potencial da minha cidade. Comecei com o projeto Rota Farroupilha, em 2016, e, no ano seguinte, publiquei a série especial de vídeos no YouTube. Desde então, mantenho os artigos atualizados. Espero te convencer a visitar ou ver Pelotas com novos olhos.
O que fazer em Pelotas
Centro Histórico e a Praça Coronel Pedro Osório
Se é a sua primeira vez em Pelotas, passar pela Praça Coronel Pedro Osório é essencial para entender o ciclo econômico mais importante e a base cultural. Ao redor está um dos maiores e mais preservados conjuntos de arquitetura eclética da América Latina. Ali estão casarões históricos, residências de charqueadores que viraram museus, e instituições antigas como a Bibliotheca Pública Pelotense, o Clube Caixeiral. Mas não observe apenas para as fachadas. Entre onde estiver aberto, olhe para o piso, para as paredes e para o teto.
No meio da praça fica a Fonte das Nereidas e, perto, o Monumento para o Dia das Mães. Não deixe de tirar foto com um dos pelotenses mais ilustres João Simões Lopes Neto, a estátua fica em um banco quase na esquina. Mais alguns passos fica uma visitante famosa, a argentina Mafalda, conversando com o seu amigo Betinho, personagem criado aqui na cidade.
Perto dali, mas em direções opostas, ficam as igrejas famosas: a Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, no Marco Zero de Pelotas, e a Catedral Anglicana do Redentor, a igreja cabeluda. E o Mercado Central é a pausa para descansar e comprar souvenirs.
A história continua do bairro Areal até as margens do Arroio Pelotas
Saindo do Centro Histórico, está o Parque da Baronesa, um dos espaços públicos mais tradicionais da cidade, onde lazer e memória dividem o mesmo terreno. Era a chácara do Barão dos Três Serros, doada ao município com a condição de ser preservada e aberta ao público. O solar virou museu sobre o modo de vida no século XIX. Mais adiante, o Arroio Pelotas conduz às antigas charqueadas da Costa Doce, propriedades onde acontecia a produção do charque, produto responsável pela riqueza, arquitetura e parte da identidade local. A visita também revela o outro lado dessa prosperidade: o trabalho de pessoas escravizadas.
Desfrute da calmaria nas margens da Lagoa dos Patos
A Praia do Laranjal é um dos lugares mais contemplativos e relaxantes de Pelotas. Às margens da Lagoa dos Patos, o maior volume de água doce da América Latina, é um ponto de encontro de moradores e visitantes com a natureza. A orla convida para caminhadas e prática de esportes aquáticos, enquanto o trapiche também é usado para a pesca. Ao longo da Avenida Adolfo Fetter e na beira da lagoa, estão cafés, docerias e restaurantes. Um programa bem típico é provar o pastel de camarão feito pelas famílias de pescadores da Colônia Z3.
A Pelotas mostra o seu lado moderno no Parque Una e no Quartier
Após tanta história, vale conhecer um cenário inesperado. Os bairros planejados Parque Una e Quartier mostram como a cidade continua crescendo e experimentando novas formas de ocupar os espaços urbanos. O primeiro mistura moradias, comércio e áreas de convivência com lago, exposições, deck e playground. Ali fica a Casa Una com atividades culturais, gastronômicas e terraço público. Subindo até o 12º andar do edifício Vanguarda, reúne rooftop, livraria e restaurante com vista privilegiada para o pôr do sol. Já o Quartier representa outra frente dessa expansão contemporânea, combinando arquitetura, sustentabilidade e iniciativas de inovação como o Rampa Innovation Hub. São regiões para morar, trabalhar e aproveitar o tempo livre.
Conheça a arte produzida em Pelotas
A cidade também tem uma produção artística capaz de transformar sua história em luz, cor e personagens. Entre os principais exemplos está o Grupo Tholl, companhia pelotense que mistura linguagem corporal, malabarismo, teatro, figurinos e comédia. A Companhia de Dança Afro Daniel Amaro, por sua vez, une movimento, ancestralidade e memória para contar narrativas da cultura negra em Pelotas. A Dança dos Orixás é a minha favorita. A apresentação percorre diferentes espaços da Charqueada São João e ressignifica um local marcado pela escravidão.
Além disso, Pelotas possui dois teatros históricos. Inaugurado em 1834 e reaberto em julho de 2026 após 16 anos fechado, o Theatro Sete de Abril é um dos mais antigos do Brasil. Já o Theatro Guarany, aberto em 1921, nunca parou. Ambos recebem produções nacionais e internacionais desde o início. Portanto, vale consultar a agenda cultural local para descobrir os espetáculos em cartaz durante a sua estadia.
Outro nome em destaque é Madu Lopes. Na Fenadoce de 2017, o artista plástico criou um universo inspirado nas doceiras e nas diferentes etnias que ajudaram a construir a tradição confeiteira de Pelotas. O Museu do Doce abriga algumas obras dele. Também o Leopoldo Gotuzzo, pelotense que dá nome ao museu de arte de Pelotas: MALG. O prédio histórico é um importante centro cultural responsável por preservar um acervo de aproximadamente 4.000 obras de arte.
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Onde ficar em Pelotas
Apenas no Booking.com são quase 200 acomodações para todos os estilos e bolsos. O texto a seguir conta detalhes de algumas visitadas.
Hospedagem no centro, na praia ou na beira do arroio

Quando ir
Pelotas pode ser visitada o ano todo, mas cada época tem seus atrativos. Dezembro e janeiro costumam ser movimentados por causa das formaturas, assim como o período da Fenadoce, em julho.
Festival Internacional Sesc de Música, em janeiro.
Eventos em julho – aniversário da cidade no dia 7.
Floração dos pessegueiros entre o fim de julho e o início de agosto.
Semana do Patrimônio, em agosto.
Para onde viajar nos feriados de setembro.
A Feira do Livro acontece em outubro.
Dezembro inicia a temporada de verão na Praia do Laranjal.
Roteiros conforme o seu tempo em Pelotas
Apenas 1 dia
Caminhe pelo Centro Histórico, entre nos prédios que estiverem abertos, como a Bibliotheca Pública Pelotense ou a Secretaria de Cultura (Casarão 2). Almoce ou lanche no Mercado Central, passe no Parque da Baronesa e curta o fim de tarde no Laranjal. Tem mais algumas horas? Meu roteiro de um dia e meio.
Princesa do Sul em um fim de semana
Entre na Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, na Praça José Bonifácio. Acrescente experiências pela zona rural, como um café colonial, trilhas ou visita guiada a uma charqueada.
Pelotas em 3 dias
Inclua experiências gastronômicas e galerias de arte. Visite também um dos bairros planejados, como o Parque Una ou o Quartier. A arquitetura moderna surpreende quem associa Pelotas apenas aos casarões antigos.
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Guia de turismo em Pelotas
Se quiser aproveitar e conhecer Pelotas com uma guia local, me chame! Se eu não estiver viajando, posso te levar para explorar a cidade com os olhos de quem vive e conhece cada canto. Deixe um comentário com e-mail válido e datas da viagem. Retorno assim que possível. Ou veja o tour da Civitatis criado por guias amigos.
Mapa turístico de Pelotas
Use sua conta do Google para personalizar este mapa conforme o seu roteiro. Salve no seu Maps, marque pontos e trace as rotas que desejar. A maior parte dos pontos históricos de Pelotas está concentrada ao redor da Praça Coronel Pedro Osório. Já a Praia do Laranjal fica afastada do centro, enquanto as charqueadas e atrações rurais costumam exigir deslocamento de carro ou passeio organizado.
Onde e o que comer
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Por trás de todo doce há uma história e muitas confeitarias
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Esta cidade é um dos destinos da Rota Farroupilha. Para levar o conteúdo durante a viagem, consultar e ainda ter sugestão de roteiros com mapa interativo detalhado, adquira o guia Guia RS Rota Farroupilha >>

Como chegar a Pelotas
Embora tenha aeroporto internacional, Pelotas só recebe voos de Porto Alegre (cerca de 50 minutos) e de São Paulo (cerca de 1h50) em dias alternados. Azul, LATAM e GOL operam na cidade.
Para quem vem por estrada, o centro histórico fica a 250 km de Porto Alegre pela BR-116. A distância até Rio Grande é aproximadamente 50 km pela BR-471. Ônibus da Expresso Embaixador conectam ambas as cidades diariamente em vários horários.
Como se locomover em Pelotas
Pelotas parece grande quando olhamos o mapa ou consideramos os mais de 300 mil habitantes, mas os deslocamentos urbanos são fáceis. As distâncias são curtas, o terreno é plano e boa parte dos atrativos está concentrada no centro. Ainda assim, a melhor forma de circular depende do roteiro. Eu faço muita coisa a pé e deixo o carro para os lugares mais afastados.
No Centro Histórico, o melhor transporte são os próprios pés, há muito o que ver entre a Catedral Anglicana do Redentor e a Catedral Metropolitana São Francisco de Paula, passando pela Praça Coronel Pedro Osório. No entanto, o calçamento é antigo, com pedras irregulares, e algumas calçadas exigem atenção. Use sapato confortável e fique atento onde pisa.
Para sair da rodoviária, do Aeroporto de Pelotas ou chegar a atrações mais distantes, os aplicativos costumam ser a opção mais prática. Uber e 99 operam na cidade e conheço um guia de turismo taxista que vai agregar muito ao seu roteiro.
Pelotas tem ônibus ligando o centro aos principais bairros e atrativos, inclusive Parque da Baronesa, Parque Una e Praia do Laranjal, porém, as linhas variam, atrasam e horários mudam. Por isso, considere traçar a rota no Google Maps no dia do passeio, mas não confie cegamente, confirme com os locais porque a tecnologia pode se equivocar. Se viaja em duas ou mais pessoas, alugar um carro ou usar transporte por aplicativo pode ficar mais econômico que o transporte público, considerando não só dinheiro, mas também o seu tempo aproveitando a cidade.
Outra alternativa para quem gosta de se manter em movimento é o BikePel, sistema de bicicletas compartilhadas. A retirada é feita pelo aplicativo onde estão todas as informações.
Vale a pena alugar um carro em Pelotas?
Para conhecer apenas o Centro Histórico, não vejo a necessidade de carro. Ele vai passar boa parte do dia estacionado. O veículo alugado funciona bem para circular pela zona rural, Praia do Laranjal, Rota das Charqueadas e combinar com outros destinos da Costa Doce.
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Funcionamento da Zona Azul
Se estiver de carro próprio ou alugado, observe as placas da Zona Azul, o sistema de estacionamento rotativo de Pelotas. Nem sempre há um parquímetro ao lado da vaga, parte dos equipamentos foi substituída por placas com QR Code direcionando para ativar o tempo pelo celular e pagar com Pix ou cartão. O mais seguro é baixar o aplicativo oficial ZAE Pelotas. Também existem pontos comerciais credenciados e monitores identificados para auxiliar os motoristas. O site da Zona Azul do município permite ativar o tíquete sem cadastro e verificar eventuais avisos de irregularidade.
Passeios de barco
O barco não substitui o transporte urbano, mas oferece uma das formas mais interessantes de se deslocar pela história da região. Navegar pelo Arroio Pelotas permite observar as fachadas das antigas charqueadas e entender por que a água foi tão importante para a produção e o escoamento do charque. Tanto a Charqueada São João quanto a Boa Vista oferecem o passeio mediante agendamento.
Perguntas frequentes
Sim, o inverno de Pelotas costuma ser rigoroso, com umidade e vento, principalmente entre junho e agosto. Dados climáticos associados à UFPel e ao INMET indicam médias próximas de 12°C em julho. Porém, uma das cidades mais úmidas do mundo faz com que a sensação térmica seja muito mais intensa do que marcam os termômetros.
Sim, de água doce e está a apenas 60 km do mar na Praia do Cassino. Por aqui temos a Praia do Laranjal às margens da Lagoa dos Patos, com orla, restaurantes, hospedagens e espaços para atividades ao ar livre.
Distante aproximadamente 250 km da capital Porto Alegre, pela BR-116. Pelotas fica a cerca de 3h30 de ônibus, partindo várias vezes ao dia. Também há voos em dias alternados que levam até 50 minutos.
Muitas localidades no Rio Grande do Sul têm apelidos. Pelotas passou a ser conhecida como Princesa do Sul durante seu período de prosperidade econômica e cultural. O termo já aparecia em publicações na década de 1920, relacionado também à intensa vida social da cidade.
O que dizem os amigos
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