Charqueadas da Costa Doce


Quem visita Pelotas pela primeira vez deve ter as Charqueadas como ponto de partida. Assim recomendam os guias de turismo. Principalmente a São João por ser a mais antiga e oferecer um tour guiado bem completo pelas dependências da casa. Ali, ou na Charqueada Boa Vista, pode entrar em um barco parar visualizar um pedaço desta história por um novo ângulo, um passeio agradável pelo Arroio Pelotas.

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O que são as Charqueadas?

O charque para preparar uma das comidas típicas do Rio Grande do Sul
O charque sendo preparado

Charqueadas são as grandes propriedades rurais onde o charque (carne salgada desidratada) era produzido. A história industrial do charque na região começou, em 1780, com a chegada do português José Pinto Martins. Ele veio do nordeste em busca de água e aproveitou a grande quantidade de gado solto deixado pelo espanhóis. O produto trouxe riquezas e foi o responsável por tornar Pelotas conhecida em todo o país no século XIX. A indústria também promoveu o crescimento da cidade por meio de atividades econômicas como hoteleira, comercial e cultural. Além de ter financiado a Revolução Farroupilha com o objetivo de acabar com os altos impostos sobre a carne.

Charqueadas da Costa Doce

Pelotas é a minha cidade natal, portanto, já visitei algumas vezes as charqueadas e fiz duas vezes o passeio de barco. A primeira para conhecer uma das atividades mais interessantes no município e a segunda em busca de informações sobre a Revolução Farroupilha.

Como a maioria das casas não está aberta ao público, ver as fachadas delas a partir do barco e ouvir as explicações de um guia é certamente um belo passeio. Entre o Arroio Pelotas e o Canal São Gonçalo se concentram as frentes das Charqueadas, que chegaram a ser mais de 40 propriedades.

Charqueada do Abolengo na foto destaque.

As construções mais conservadas já foram cenários de filmes e minisséries como O Tempo e o Vento e A Casa das 7 mulheres. As mais conhecidas e abertas ao público são Charqueada Boa Vista (de 1811), Charqueada São João (de 1810) e Charqueada Santa Rita (de 1826). Hoje funcionam como local para eventos e pousada. As demais são residências particulares ou clube, usados em eventos ou sofrem com o descaso como a Charqueada Barão do Jarau. Onde foi filmado Concerto Campestre em 2012.

Charqueada São João
Charqueada São João

Visita a Charqueada São João

A Charqueada São João é a mais antiga e tem o guia André Sampaio contando como era a vida dos escravos, as reuniões da maçonaria ocorridas por ali e curiosidades que até hoje são descobertas na propriedade. Em cerca de uma hora, ele mostra os detalhes da casa com móveis de época e responde perguntas.

A casa principal é ligada à Maçonaria como mostram os detalhes na construção e no pátio. São 33 cômodos em 950 metros quadrados, mas a visita acontece somente em uma parte porque os atuais proprietários moram ali. Entre as curiosidades, uma figueira de 500 anos tem um muro construído aos pés em formato de estrela. Os maçons mais importantes sentavam um em cada ponta e falavam seus segredos. A árvore foi testemunha e junto com a figueira na frente da senzala ganharam os apelidos: a figueira que tudo sabe e a figueira que tudo viu.

A árvore que tudo viu em frente à senzala
A árvore que tudo viu em frente à senzala

Por fim, Marcelo Mazza leva para o passeio de barco e continua contando as histórias das outras charqueadas vistas na beira do Arroio Pelotas.

Barco Maria do Carmo parte da Charqueada Boa Vista
Barco Maria do Carmo parte da Charqueada Boa Vista

Passeio de barco na Charqueada Boa Vista

Trecho do texto publicado em 2012

Era uma tarde de domingo com o sol brilhando forte e céu limpo que ajudaram à compor belas fotos. A embarcação partiu da Charqueada Boa Vista e passou em frente de algumas charqueadas preservadas, entre outras casas maravilhosas de quem optou por morar perto da água. O guia /capitão Rene contava os detalhes enquanto pilotava.

No percurso, vi condomínios e Iate clubes sem grades e com lindos jardins, esportistas praticando wakeboard, famílias tomando chimarrão em suas lanchas ou navegando em botes e veleiros. Nas margens do arroio ainda havia homens pescando e amigos fazendo churrasco. É um ótimo local para aproveitar o final de semana seja turista ou morador.

Paisagem no Arroio Pelotas
Paisagem no Arroio Pelotas

Curiosidade sobre a origem do nome da cidade

O nome Pelotas não vem do espanhol (significa bolas ou pelados) como muitos pensam. Se originou de uma embarcação artesanal feita para escoar o charque ou de transporte para atravessar o arroio chamado Pelotas. O motor era humano, um escravo era encilhado com uma corda na boca e atravessava puxando a pelotas com os dentes como se fosse um cavalo.

Uma réplica em tamanho reduzido pode ser encontrado dentro do Mercado Publico. E na ponte, próxima à Rodoviária, foi feita uma estátua de bronze em tamanho real.

Cenas do Arroio Pelotas

Tome Nota: Charqueadas e Pelotas

Pelotas fica no extremo sul do Brasil e indico como parada obrigatória para quem viaja de carro para o Uruguai. Principalmente se for na época da Fenadoce (Feira Nacional do Doce). A cidade é conhecida como a terra nacional do doce e tem como especialidade os maravilhosos doces com ovos.

Charqueada São João é aberta ao público sob agendamento. Oferece visitas guiadas, passeios de barco e espaço para eventos. Reservas pelo site.

Para agendar o passeio saindo da Charqueada Boa Vista, contate Rene pelo telefone 53.91013981 ou [email protected], ou visite o site. Consulte opções para passeios fechados ou pescaria.

Quando fiz existiam as seguintes opções:
– Rota 01 – navegando pelo Arroio Pelotas com duração 1h40.
– Rota 02 – navegando pelo Arroio Pelotas e São Gonçalo com duração 3h30.
– Rota 03 – navegando pelo Arroio Pelotas e Barra da Lagoa com duração 3h30.

Guia de turismo em Pelotas: recomendo os dois guias que aparecem no vídeo Eliane Ferrer Alves e André Sampaio. Eles atendem pelos receptivos locais ou grupos. O contato da Eliane é [email protected] ou telefone 53. 32228804.

Hotel em Pelotas: veja onde me hospedei neste texto com 4 recomendações.

Interior do barco da Charqueada São João
Eliane, André e eu

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Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

1 Comentário

  1. Maria Oliveira Responder

    Olá aqui é a Maria Oliveira Dias, eu gostei muito do seu artigo seu conteúdo vem me ajudando bastante, muito obrigada.

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