Viajar ou não, eis a questão (eu viajei!)


Após 8 meses na mesma cidade e praticamente sem sair de casa, finalmente eu viajei! Usei transporte coletivo para ir até Porto Alegre (RS), circulei pela cidade a pé e de Uber, frequentei shoppings, restaurantes, cafés, rodoviárias e conto como foi no podcast Tesão de Ouvir. Além de reclamar das pessoas e as dicas para se proteger do mau comportamento alheio, trago novos detalhes para pensar na hora de decidir as próximas férias em destinos internacionais.

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Viajar ou não, eis a questão (eu viajei!)

Havia planejado saídas para Santa Catarina e Rio Grande do Sul em dezembro, mas decidi adiar quando percebi que toda a região sul chegou ao pico somente agora. Antes os hospitais não lotaram e a média dos números era muito menor. Quem convive comigo a vida toda, está estranhando a minha paciência porque eu viajo desde bebê (sou impulsiva e ansiosa quando se trata de viajar) e nunca fiquei tanto tempo sem sair da mesma cidade. Talvez eu tenha viajado tanto até o momento intuitivamente, esperando essa pausa obrigatória.

Aquela ânsia que o mundo ia acabar se perdesse qualquer oportunidade de ver de perto e ao vivo deu lugar a cautela e empatia. Hoje penso assim, se o local onde estou tem alta taxa de contágio, não devo viajar para um destino “seguro” podendo levar o vírus para outra comunidade, caso eu seja assintomática. Agora, a vontade de explorar sem medo dos riscos continua bem viva e vai voltar a ativa muito em breve.

Então aconteceu do meu Macbook morrer a bateria e só consegui quem arrumasse em Porto Alegre. Portanto, não foram férias, foi uma viagem essencial porque meu trabalho depende da ferramenta. Como envolveu transporte e serviços comuns quando viajamos, deu para tirar algumas dicas para quem está avaliando se vale viajar agora, ou não. 

Afirmo que dá para viajar sim, mas depende totalmente do comportamento de cada indivíduo. Se todos se preocupassem com o coletivo mais que a si próprio, nem existiria essa dúvida. Mas vamos as minhas impressões. Lembrando que Porto Alegre é uma capital com quase 1,5 milhão de habitantes e o relatado a seguir é menos frequente em cidades menores e, provavelmente, inexistente em locais isolados na natureza.

Como viajei para Porto Alegre durante o pico da pandemia no RS

Os serviços se adequaram aos novos protocolos de saúde e segurança, há cuidados, treinamentos de funcionários e avisos claros ensinando como proceder. Infelizmente, o que vi em 5 dias caminhando pelas ruas, frequentando restaurantes, rodoviárias, shopping e usando Uber foram:

  • Uso incorreto da máscara
    Algumas pessoas tiram para falar ou para coçar o rosto. Quando o receptor vê o sujeito em frente tirando, retira também (não sei se é pra ser solidário, porque não escuta direito ou algum tipo de reflexo). No entanto, o uso da máscara é para evitar que as gotículas da sua respiração atinja os outros e, ao mesmo tempo, se proteger das gotículas dos outros. Portanto, o momento mais importante de usar é justamente quando tem outra pessoa por perto. Além disso, muitos colocam no queixo, tocam na parte contaminada e depois passam a mão no rosto ou pegam o alimento sem higienizar as mãos. Se o seu  objetivo é se contaminar, esse é jeito mais fácil.
  • Aglomeração em filas
    Só vi aglomeração nas filas, para embarcar, pagar a conta, esperar a vez de ser atendido… Aqueles adesivos de piso utilizados no caixa das farmácias deveriam estar em todos os lugares para as pessoas perceberem e evitarem. Afinal, imagino ser descuido mesmo, na maioria dos casos. O que eu fiz quando me via em situações assim, mantinha distância da pessoa na frente, mas quem chega por trás acabava grudado em mim, era preciso pedir para se afastar ou sair da fila e voltar mais tarde.
  • Minoria sem máscara (sendo lei por decreto o uso obrigatório)

Como está o transporte privativo e coletivo

Uso muito o ônibus intermunicipal conectando Pelotas a Porto Alegre, sempre foi uma escolha confortável e conveniente. Meu receio era não ter opção de abrir as janelas e ficar mais de três horas respirando o mesmo ar de mais de 50 passageiros. Foi sanado porque em alto risco de contágio, a ocupação permitida é metade com a garantia de ninguém sentar ao seu lado e janelas basculantes abertas para o ar circular dando mais trabalho ao ar-condicionado. Pelo menos, na rota mencionada.

Quero Passagem BR

Chegando lá, preferi evitar trem e ônibus coletivos dessa vez, mas abusei do Uber. Todos sempre de máscara pedindo para abrir a janela, se estivesse fechada, oferecendo álcool gel e alguns com um plástico vedando completamente a circulação de ar entre os bancos da frente e o de trás. Gostei da solução segura tanto para passageiros quanto motorista.

Os restaurantes e cafés

Não queria ter ido a buffet, mas acabei sendo convencida que seria seguro. Funcionários dão 1 luva, medem temperatura e obrigam a passar gel na entrada, há espaço entre as mesas e tudo bem, até o momento que  vi pessoas usando a luva para segurar o prato e se serviam com a mão sem a proteção ou passavam ao lado da minha mesa sem usar a máscara. 

Já no Cedinho Café, estabelecimento temático inspirado na história de Alice no País das Maravilhas, foi muito tranquilo. Janelas abertas, mesas espaçadas, cuidado ao servir dos funcionários e pratos à la carte no coração da Cidade Baixa. O bairro boêmio não tem a melhor das famas com bares lotados para happy hour, mas alguns lugares respeitam as restrições e exigem o mesmo dos clientes.

Alguns dizem que sou neurótica e talvez seja o seu pensamento agora. Sinceramente, é algo tão simples que não entendo porque tamanho descuido após tantos meses de aviso e confirmação de máscara e higiene serem as formas mais eficazes de evitar o contágio. Inclusive, semanas atrás escrevi o texto Reduza os riscos se for viajar na pandemia baseado em pesquisa e disse não ter certeza se iria cumprir tudo. Afinal, o viajar seguro vai contra as práticas sustentáveis, é pesado, volumoso, abusa dos plásticos e nos faz perder tempo. Afirmo que as dicas são úteis, mas só levei metade dos sugerido e tudo bem porque o se sentir confortável é pessoal e depende de cada situação. Se me sentisse insegura, teria parado para comprar o que faltou.

Mapa preliminar da situação de contágio no Rio Grande do Sul na terceira semana de dezembro

Para pensar na hora de planejar uma viagem internacional

As fronteiras estão abrindo e as restrições diminuindo. Atualmente pouco mais de uma dezena de países está com regras leves para turistas brasileiros. Enquanto mais de uma centena permanece com entrada super restrita, outros 100 países estão com restrições moderadas e recebem turistas desde que atendam alguns requisitos como teste para Covid-19, quarentena e muito breve a tão aguardada vacina.

Certamente muitos lugares são mais seguros que a minha própria cidade e os atrativos se adaptaram bem a essa nova realidade. O que deve ser previsto no planejamento como extra, caso fique preso no destino ou em trânsito, são duas coisas:

  1. Tem dinheiro para se manter por um tempo?
    As despesas extras em tempo de Real desvalorizando são um prejuízo e tanto. Como exemplo, minha mãe ficou presa na Austrália por 3 meses a mais que o previsto quando começou a pandemia. Já teve texto e áudio publicado aqui com os detalhes. O maior prejuízo foi o seguro viagem ter custado 1000 vezes mais caro para renovar do que o contrato inicial e nem cobria Covid-19 (hoje alguns incluem na cobertura), além das taxas de alteração para passagens e reservas. O gasto só não foi maior porque ela estava hospedada na casa do filho com quarto e refeições garantidos.
  2. Seu trabalho é flexível? Pode trabalhar remotamente sem risco de ser demitido?
    A pandemia trouxe uma flexibilização ótima que veio para ficar, mas não serve para todos os empregos. Para viajar várias vezes por ano como faço desde 2013, foi preciso abandonar o emprego tradicional e virar freelancer, se fosse hoje teria opções melhores.

Onde há restrições moderadas e severas

As restrições severas vêm de países como a maioria na Europa, Estados Unidos, China, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Índia e Canadá. Já os países da América Latina, da África, do Oriente Médio e do Reino Unido tem sido moderadas.

Infelizmente, as fronteiras podem abrir ou fechar a qualquer momento como vimos em abril e é preciso se planejar com mais cautela. Atualmente, prefiro e aconselho viajar pelo Brasil e lugares próximos na América do Sul ou os poucos destinos onde a moeda local vale menos que nosso Real.

Caso tenha um destino em mente, se inscreva para receber dicas personalizadas por e-mail. Se eu ou alguém aqui do Territórios passou por lá, vamos enviar informações para ajudar no planejamento além de muita inspiração para incluir no roteiro. Se não faz ideia, mas tem muita vontade de viajar, se inscreva também selecionando por temas.

Para mais dúvidas sobre Coronavírus, clique na palavra em vermelho para ver o que já publicamos.

Relato 100% original. Fontes das imagens: Pixabay e Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

4 Comentários

  1. Maria Abadia dos Reis Responder

    Amei sua narrativa de viagem na pandemia. Meu marido e eu amamos viajar e estamos presos. Só que somos idosos.Gropo de risco . Temos que aguardar.

    • Roberta Martins Responder

      Obrigada Maria, que tudo isso passe logo para voltarmos a viajar em segurança.

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