Impossível viajar de carro pelo pampa sem lembrar da música Canto Alegretense. Principalmente, se Alegrete está no roteiro e a ideia é chegar de Rosário ao fim da tarde, como diz a letra. Tudo faz sentido para quem faz este trajeto ou conhece um pouco da cultura gaúcha. E, para quem está perdido, começo avisando que o título deste artigo é a primeira frase da canção nativista do compositor Antonio Augusto Fagundes, praticamente um hino no Rio Grande do Sul.

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Não me perguntes onde fica o Alegrete…

“Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão…”

Sinalização nos trevos de entrada de todas as cidades gaúchas
Sinalização nos trevos de entrada de todas as cidades gaúchas

Alegrete é a poética terra de Mario Quintana, Oswaldo Aranha, Os Fagundes (família de músicos nativistas), Chapéu Preto (escultor) e de quem puxa o T e prolonga o L no sotaque. É o maior município em área territorial da região sul do Brasil (zona rural) e foi a terceira capital Farroupilha. Este último, nossa motivação para fazer o trecho mais longo da viagem (204 km) pelo Caminho Rota Farroupilha.

Fachada do atelier do artista Chapéu Preto
Fachada do atelier do artista Chapéu Preto

A viagem para o Alegrete

Partimos de Santana do Livramento em direção a Rosário do Sul e, literalmente, pegamos o sol como uma brasa que ainda arde ao chegar no Alegrete. Uma enorme bola de fogo brincava de esconder a cada quarteirão e eu insisti na parada para as fotos. Mas Eliane nos esperava para apresentar a sua cidade e já estávamos atrasadas.

“…Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã…”

Painel "Lembranças de viagens" no museu
Painel “Lembranças de viagens” no museu
Objetos pertencentes ao diplomata Oswaldo Aranha
Objetos pertencentes ao diplomata Oswaldo Aranha
Igreja Matriz
Igreja Matriz

Começamos com a visita ao acervo mais completo sobre a vida do diplomata Oswaldo Aranha no museu com seu nome. Uma casa antiga com porta de madeira talhada ao redor da Praça Getúlio Vargas. Praça rodeada por construções históricas como a Igreja Matriz (1919), o Palácio Ruy Ramos e casas de família.

Palácio Ruy Ramos
Palácio Ruy Ramos
Casa ao redor da Praça Getúlio Vargas
Casa ao redor da Praça Getúlio Vargas
Cardápio criativo da pastelaria
Cardápio criativo da pastelaria

A noite teve jantar na Pastelaria Primeira Opção, animadíssima para uma segunda feira no interior. Casa cheia e música ao vivo para confirmar o lado artístico da cidade. Nos divertimos com os nomes criativos no cardápio e eu adorei o pastel de ovelha bem recheado. A sobremesa foi crepe de chocolates com doce de leite para dividir com os amigos porque era doce demais para comer sozinha.

O Museu do Gaúcho

No dia seguinte acordamos cedo para fotografar a Praça Getúlio Vargas de dia e visitar o Museu do Gaúcho e Memorial do Alegrete. O espaço exibe objetos típicos da cultura gaúcha, livros e esculturas retratando o cotidiano regional. Contudo, o que mais chamou a minha atenção foi a escultura de cimento no estacionamento. Um gaúcho estilizado tomando chimarrão era três vezes o meu tamanho e trazia traços peculiares. É obra do Chapéu Preto disse Eliane e nos levou até o atelier dele. Pena ele não estar porque eu fiquei encantada no artista desconhecido pra mim até aquele momento. Se a fachada já é um portfólio, imagina como deve ser por dentro.

Obra de Chapeu Preto em frente ao Museu do Gaúcho
Obra de Chapeu Preto em frente ao Museu do Gaúcho
Gaúcho e Gardênia
Gaúcho e Gardênia

Enquanto fotografávamos o atelier, um senhorzinho caminhando com dificuldade parou para falar do artista e perguntar quem éramos. Era um típico gaúcho do Alegrete vestindo bombacha e chapéu de couro. Lembrei do momento anterior a viagem quando Gardênia me perguntou se as pessoas ainda usavam bombacha no Rio Grande do Sul, a esta altura até ela vestia um pala e estava acostumada a ver o traje pelas ruas das cidades por onde passamos.

E o nosso tempo em Alegrete acabou rápido… Faltou ver a Ponte de Pedra (complexo de rochas com formato de ponte), a Praça dos Patinhos e se hospedar em Fazendas e Estâncias históricas para ter a vivencia autêntica do modo de vida campeiro. Mas voltarei, na próxima ida de carro para a Argentina, vou parar aqui antes de seguir para Uruguaiana ou para a Rota das Missões.

Fachada do atelier do Chapeu Preto
Fachada do atelier do Chapeu Preto

Voltando ao Canto Alegretense, não foram poucas as vezes buscando o vídeo no YouTube e cantamos entre amigos dentro do carro. Apesar de todos se enrolarem na letra, o refrão era sempre em alto e bom tom:

“…Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy…”

E A REVOLUÇÃO FARROUPILHA?
Alegrete foi escolhida como capital Farroupilha em 1840 quando a República Rio-Grandense entrava em declínio após perder algumas cidades para o Império. Na época, Alegrete abrangia um território ainda maior incluindo Santana do Livramento, Uruguaiana, Quaraí, Rosário do Sul e um pedaço do Uruguai (atual Departamento de Artigas). Permaneceu capital até o tratado de paz ser assinado em Poncho Verde (Dom Pedrito) em 1 de março de 1845.

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Tome Nota Alegrete

Porta do Museu Oswaldo Aranha

Como chegar ao Alegrete: localizado na fronteira oeste do Estado, o município fica 490 km de Porto Alegre e 150 km de Paso de Los Libres, entrada por terra para Argentina pela BR-290. Quem parte de Santana do Livramento deve pegar a BR-158 e a BR-290 no sentido contrário a Rosário do Sul.

Onde ir: Museu Oswaldo Aranha funciona de segunda a sexta das 9h às 16h com visitas monitoradas nas terças e quintas. Fica na Praça Getúlio Vargas, 585. Para agendamentos [email protected]

Museu do Gaúcho Abre de segunda a sexta das 8h às 12h e das 13h às 17h na Av. República Rio-Grandense, 216. Contato [email protected]

Atelier Chapéu Preto localiza-se na Avenida Espinilho, 82, no bairro Capão do Angico.

Crepe de chocolate com doce de leite
Crepe de chocolate com doce de leite

Onde comer: Pastelaria Primeira Opção abre de quarta a domingo das 19h às 23h na rua Visconde de Tamandaré, 549.

Onde dormir: Hotel Alegrete é bem melhor por dentro comparado à fachada. Os quartos são limpos com mobília nova e bem quentes para o frio daquela noite. Paredes cheias de tomadas, bom sinal de wifi e cama confortável renderam uma bela noite de sono. Tem amplo estacionamento e oferta em suítes para 1 até 3 pessoas. O café da manhã é servido no restaurante inaugurado há pouco tempo. No buffet frios, chimias, sucos naturais, pães e frutas.

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A hospedagem e o jantar foram cortesias.

Veja mais fotos do Alegrete:

Porta de casa ao redor da Praça Getúlio Vargas
Porta de casa ao redor da Praça Getúlio Vargas

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A viagem #RotaFarroupilha é um projeto do Territórios em parceria com As Peripécias de uma FlorCafé ViagemMochilinha Gaúcha e participações especiais de Andarilhos do Mundo e da jornalista Criz Azevedo. O roteiro teve o apoio de empresas regionais como BC&M Advogados e Agropecuária Sallaberry, além do suporte do Sebrae Costa Doce e de algumas secretarias de turismo. A ideia surgiu ao saber da Rota Caminho Farroupilha elaborada pelo Sebrae RS e oferecida como pacote turístico pela Tchê Fronteira Turismo.

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Author Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

2 Comentários

  1. Hermes Dagoberto Responder

    Gostei do tema de sua divulgação, gostaria de ver se é pertinente para meu site.

    Sds.

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