Fazer uma viagem gastronômica pela Emilia Romagna não era a ideia, mas acabou se tornando porque comer na Itália é divino, além de a comida ser representante forte da cultura e história do lugar. A terra de origem certificada dos presuntos parma, azeite balsâmico, mortadela e parmigiano reggiano promete experiências inigualáveis.
Exceto pela trufa, nada ali era novidade, no entanto, saborear presuntos, queijos, massas e sorvetes na Itália é algo inexplicavelmente bom… só provando para entender. Então, este artigo é para mostrar o que eu mais gostei de comer na Itália, ou melhor, em cada cidade da Emilia Romagna, para você levar como sugestão na viagem.

Poucos são os restaurantes neste artigo, o tema é o alimento em si que se confunde com fazer turismo nas visitas aos mercados, curiosidades dos processos de fabricação, caça aos ingredientes e descobertas nas aulas de culinária. Ou seja, atividades para se sentir totalmente envolvido até a garfada final.
O que comer na Itália
Use os links para navegar direto ao seu prato preferido ou continue a leitura. Antes, deixo uma notícia deliciosa para dar ainda mais vontade de viajar para comer na Itália.
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Cozinha italiana é Patrimônio da UNESCO
Desde dezembro de 2025, a UNESCO oficializou o reconhecimento da cozinha italiana como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Um marco histórico celebrando todo o conjunto de rituais, saberes e a convivência comunitária à mesa.
E tem detalhe único: foi a primeira vez que a UNESCO designou a culinária de uma nação inteira como patrimônio. Fator humano é a maior justificativa, conforme:
- Técnicas artesanais e um respeito sagrado pelos ingredientes.
- A transmissão de saberes entre gerações.
- O alimento como canal de inclusão social e bem-estar.
E, se quiser um endereço para traduzir isso em experiência em um único lugar na Emilia Romagna, visite o Gran Tour Italia. Bolonha abriga um parque temático de 50 mil m² dedicado às tradições culinárias das 20 regiões do país.
Presunto Parma
O melhor dos embutidos nem precisa de acompanhamentos, no entanto, nem todos os encontrados nos mercados têm o mesmo sabor. O carimbo Denominação de Origem Protegida (DOP) faz a diferença mesmo na Emilia Romagna. Na cidade de Parma, tem passeios guiados para conhecer a produção e degustar o presunto, mas com tantas opções disponíveis, esta acabou ficando para uma próxima viagem. Me contentei provando nos restaurantes.
Pasta Artesanal
As massas não têm certificado de procedência e as caseiras são produzidas da mesma forma no Brasil, mas o sabor é incomparável. Ajudei a preparar uma massa em uma terça-feira e achei a melhor do mundo. Na mesma semana, provei outra e tive o mesmo pensamento. E olha que passei apenas sete dias na Emilia Romagna, imagina se ficasse mais tempo. As tradicionais na região são: talharim, tortellino, anolini, cappelletti, tortellini e lasanha de ragu à bolonhesa.

Le Sfogline tem curso de pasta artesanal e vende pratos congelados ou frescos. Na Via Belvedere 7/B. Foi na aula de pasta que ajudei a fazer a massa e conto com vídeo no post Pasta feita à mão em Bolonha.

Trufa
É um tubérculo como a batata, com a diferença de ser mais raro, mais profundo na terra (60 cm) e bem mais caro. Um quilo chega a custar dois mil euros na Europa e trinta mil reais no Brasil! Mas isso não é motivo para deixar de provar esta iguaria única, basta estar nos locais certos nos períodos de caça e participar dos festivais.
Foi na 9º Sagra del Tartufo, em Bondeno, onde comi a melhor massa de todos os tempos por 13 euros – Cappelletti di magro casailingui al tartufo. Devido ao forte aroma e sabor predominante, apenas lascas da trufa são jogadas por cima ou misturadas ao tempero. A trufa deve ser consumida fresca ou, no máximo, em quinze dias se for a branca e um mês se for a negra.

Um sabor foi desmistificado quando me aprofundei na história da trufa. Aquele azeite trufado caríssimo vendido nos supermercados é bom, mas é falso! A essência é criada de forma química e misturada ao azeite de oliva. O verdadeiro existe, mas não pode ser industrializado por ser perecível. É feito com óleo de amendoim (por ser neutro), fica em um botijão de alumínio com as trufas para pegar o aroma por dois dias (elas não tocam o óleo, apenas ficam no mesmo ambiente) e deve ser consumido em menos de um mês.

Al Ramiol é a associação que organiza jantares com trufas em Bondeno.
Caça à trufa
A caça à trufa acontece entre outubro e dezembro em regiões específicas. Quando participei da Festa Provinciale del Tartufo, del Pane e delle Perle Ferraresi, surgiu a oportunidade de ir ao bosque horas antes do jantar. Encontrar uma trufa branca (a mais rara) com o tartufino e seu cachorro fez o sabor das refeições ficar ainda mais especial. Veja o vídeo e os detalhes nos posts Bondeno e suas surpresas e Caçar, encontrar e comer trufas na Itália.





Parmigiano Reggiano
Simplesmente foi o único queijo no mundo por nove séculos e ainda é produzido artesanalmente nos Apeninos. O parmesão é famoso internacionalmente, mas tudo começou ali, por volta do ano 1200. Por isso, o legítimo Parmigiano Reggiano (DOC) só pode ser produzido na região com leite retirado das vacas Bianca Modenese.





Visitei uma cooperativa para compreender o processo de fabricação e aproveitar os preços convidativos da lojinha. São três dias para moldar, vinte e cinco dias na salmoura para conservar e ter mais sabor e de vinte e dois meses a cinco anos de envelhecimento. Para ter o certificado, são necessários três anos e, quanto mais velho, mais salgado. Não provei todos, mas três anos pareceu perfeito puro, ralado na pasta ou acompanhado de frutas secas como damasco.
Caseificio Rosola tem passeios guiados em Zocca.

Lambrusco Reggiano
Vinho frisante seco com Denominação de Origem Controlada (DOC) para acompanhar as refeições. Combina bem com quase tudo, é leve e parece refrigerante por causa do gás.

Embutidos em geral para comer na Itália
A famosa Mortadella Bologna tem Indicação Geográfica Protegida (IGP), assim como diversos tipos de salames, queijos, copas e presuntos são certificados e deliciosos. É uma alegria participar de um banquete variado para comer com as mãos, acompanhado de um bom vinho. É oferecido como entrada em quase todos os restaurantes, pode comprar nos mercados e petiscar no hotel ou nos locais onde é permitido levar a comida quando comprar a bebida.





Pães para comer na Itália
O alimento presente em todas as mesas também tem suas variedades. Conheci o processo do Coppia Ferrarese (IGP) conversando com um padeiro em Bondeno. Ele mostrou o jeito antigo e moderno de preparar o pão criado no ano de 1536 e idolatrado até hoje na província de Ferrara. Lembra o pão sovado e combina bem com qualquer embutido.

Nos Apeninos, encontrei uma versão própria chamada gnocco fritto ou Tigella. São massas redondas com recheios diversos, o primeiro é assado e o segundo é frito. Gnocco fritto foi criado para substituir o pão nos períodos difíceis, como nas guerras.
Bar Cimone é especializado em gnocco e tigella na Via M. Tessi, 1036, em Zocca.

Azeite balsâmico de Modena
O produto com Denominação de Origem Protegida (DOP) é bastante conhecido e facilmente encontrado nos mercados e restaurantes pelo mundo. Em Modena, é possível conhecer todo o processo de produção em visita guiada e adquirir com os melhores preços. Eu comprei no mercado e usei nos pratos que preparava no apartamento dos blogueiros em Bologna – Blog-Ville.
Tours gastronômicos interessantes
O que mais comer na Itália
A seguir, os alimentos não exclusivos da Emilia Romagna que merecem um bom tempo de apreciação.
Gelato
Durante toda a viagem à Itália, eu tinha como meta comer uma casquinha de sorvete por dia em diferentes gelaterias. Procurava variar os sabores e nem sei dizer qual é o melhor. A dica é prove o máximo que puder.

Cafés italianos
Esse não é pela origem e sim pelo prazer. Afinal, os italianos sabem servir um bom café e criaram algumas variedades como o expresso, cappuccino e macchiato. Se pedir só um café, virá o expresso tradicional para ser bebido em um único gole, eliminando o sono de imediato. Pedir um americano ou lungo é a indicação para quem acha muito forte, vem diluído em água e servido em taças maiores ou no copo de vidro. Capuccino é o meu favorito, mas lá é sem chocolate e servido somente pela manhã. Por fim, o macchiato é nosso pingado, mesclando expresso com um pouco de leite. Existem, pelo menos, mais umas oito variedades além dessas.

Castanha
Castagne ou a Castanha Portuguesa é parecida com pinhão pelo gosto e hábito de comer no inverno. Vem do castanho, árvore comum no oeste da Europa que dá o fruto nos meses mais frios do ano. Pode ser cozida, assada ou moída para fazer pães e tortas. Provei na rua, vendo vendedores fazendo fogueira e oferecendo com o nome de Caldarroste.





Feiras e Festivais na Emilia Romagna
A maioria dos eventos culinários acontece no final do ano, principalmente em outubro, e são oportunidades de provar especialidades sofisticadas e caseiras com ingredientes típicos.
- Festival do Parma vai de agosto a meio de setembro, em Parma.
- Festival Sabores acontece aos finais de semana de outubro, em Bolonha.
- Feira Nacional da Trufa Branca é sempre aos domingos de outubro, em Sant’Ana Feltria.
- Festa do Parmigiano Reggiano é celebrada no início de agosto, em Reggio Emilia.
- Sagra da Castanha tem em Zocca, Rimini e outros locais em outubro.
- Festa Provinciale del Tartufo, del Pane e Delle Perle Ferraresi é um evento novo em Bondeno.

Onde comprar os ingredientes em Bolonha:
Vecchia Malga é uma loja com produtos certificados do Quadrilátero.
Osteria del Sole é uma taberna de 1465 onde os clientes levam a sua comida, compartilham mesas e pedem as bebidas. Na Vicolo Ranocchi 1/d.
Mercato delle Erbe é um mercado público com barracas vendendo alimentos frescos e bares. Na Via Ugo Bassi, 23-25.
Mercati Della Terra é um mercado de rua que acontece aos sábados pela manhã e nas segundas durante o verão.
Outros blogueiros participantes do Blog Ville tem artigos com dicas deliciosas de onde comer essas maravilhas:
Lista de restaurantes por Café Viagem.

Essa viagem foi parcialmente patrocinada e fez parte da ação BlogVille Emilia Romagna.
Fotos de Leandro Gabrieli e Roberta Martins.
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1 Comment
Oi Roberta
Obrigada pela indicação do Café Viagem.
Belo post o teu! Adorei. Saudades da Itália.
Beijos
Alexandra