Este relato é baseado na minha viagem de 2018, mas foi atualizado com informações de 2026. A principal mudança é a abertura do Grand Egyptian Museum, que passou a ser uma das visitas mais importantes no Cairo.
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No aeroporto
Ao desembarcar no Cairo, avistei o guia da Horus Viagens segurando uma placa com o meu nome antes mesmo de retirar a bagagem da esteira. Eu disse “Hi” e ele deu as boas-vindas em português! Me ajudou com a bagagem e chegamos rápido ao estacionamento onde a van nos aguardava. Uma segurança importante em um país onde é inevitável ter receios, ainda mais porque eu era uma mulher viajando sozinha.
Cidade dos Mortos
No trajeto entre o aeroporto e o centro, passamos pela Cidade dos Mortos. Uma zona residencial construída no local de um cemitério ainda em funcionamento. O guia Hema me mostrou os prédios e casas sem acabamento do bairro Al Arafa e começou a explicar algumas das muitas curiosidades sobre o Cairo.
O problema de espaço é uma realidade por ser uma das maiores cidades do mundo. Uma solução (não sei se foi bem assim ou foi invasão mesmo) foi usar a área entre os túmulos para construir moradia popular a partir dos anos 60. São entregues sem acabamento e o proprietário decide se quer dar continuidade à obra ou morar assim mesmo. Culturalmente, poucos se importam com a aparência da fachada, muito menos consideram uma poluição visual.
Desde então, casas e prédios foram construídos entre e sobre as sepulturas e abrigam milhares de pessoas. Muitos nem têm nenhuma relação com os defuntos, mas respeitam e abrem as portas quando os familiares desejam visitar seus entes queridos. Embora não seja recomendado pela falta de segurança, turistas curiosos adoram passear pelas ruelas e conversar com os locais.
Museu do Cairo
Embora o antigo Museu Egípcio do centro ainda guarde seu charme histórico e algumas peças interessantes, o Grande Museu Egípcio (GEM), inaugurado em 2025, é o maior museu arqueológico do mundo dedicado a uma única civilização e virou a principal novidade para quem visita Cairo. Visitei o primeiro, mas deixo as informações atualizadas para priorizar a visita ao segundo.
Distante cerca de um quilômetro das Pirâmides de Gizé, o novo espaço possui 500 mil metros quadrados e abriga mais de 100 mil artefatos de forma mais organizada e cuidadosa com relíquias de até 7 mil anos. O destaque é a Galeria de Tutancâmon, exibindo pela primeira vez todas as mais de 5 mil peças da tumba descoberta em 1922.
Diferente das filas confusas do passado, agora o ideal é garantir o ingresso online ou contratar passeio guiado, mas com antecedência, porque é o atrativo desejado por todos os turistas atualmente.
Grande Museu Egípcio abre das 9h às 17h na rodovia Alexandria Desert, em Gizá.
Museu Egípcio do Cairo funciona diariamente das 9h às 17h no centro, no local mais importante da Primavera Árabe, ocupando um prédio de 1858.
Dica de fotografia: vá até o andar superior e tenha uma vista panorâmica das Pirâmides de Gizé de uma enorme janela.

Rio Nilo
O símbolo e fonte de vida do Egito, cruza a capital do Cairo vindo de outros oito países por 6.695 km até desaguar no Mar Mediterrâneo. Ou seja, Nilo compete com o Amazonas como o rio mais longo do mundo. Ao seu redor há a maior concentração de templos, tumbas e palácios de 4 mil anos já encontrados. Eu cruzei as pontes, caminhei pelas margens do centro, vi o pôr do sol e observei a movimentação da janela do hotel. Com mais tempo, teria feito um passeio de barco ou um cruzeiro de alguns dias
O que fiquei com vontade de fazer no Cairo
Para quem só tem um dia no Cairo, muitos roteiros combinam Mesquita de Muhammad Ali, Cidadela de Saladino, Khan el Khalili, Museu Egípcio, Necrópole de Gizé e Pirâmide Djoser. No entanto, eu não consegui fazer tudo isto em dois dias no mês de maio. Mesmo porque, os mais visitados ficam nos arredores, por exemplo, as pirâmides do Egito são vistas do Cairo, mas estão do outro lado do Nilo, em Gizé.
Outros fatores a serem considerados são o calor dos meses mais quentes, o clima seco e a poluição em todos os sentidos. O conjunto cansa muito e recomendo fazer um turismo sem pressa, preparado para receber um turbilhão de informações.
Quem tem mais tempo, pode pensar em um roteiro pelas temáticas islâmica, antiguidade, medieval ou cultural, por exemplo. Pode visitar a mesquita Muhammad Ali, o mercado Khan el Khalili e a Torre do Cairo. Esta última é o lado moderno, embora tenha quase 70 anos. Dizem ter uma vista impressionante nos seus 180 metros de altura. O local é aberto à visitação e tem um restaurante com vista. Fica na ilha de Gezira, em frente ao hotel onde me hospedei.

Conclusão sobre viajar sozinha para o Cairo
Há muito para ver e fazer no Cairo, porém, nem tanto para uma mulher viajando sozinha. Embora seja possível com planejamento e contratando um guia de confiança para os passeios (como os da Hórus). Acontece que eu adoro sair a pé, me perder em mercados de rua, conversar com pessoas e não me senti segura para fazer isso. Saí caminhando pelo centro (nos arredores do hotel) algumas vezes, no entanto, não tive coragem de ir mais longe por causa do trânsito caótico sem qualquer respeito ao pedestre. Depois das tentativas, pensei em chamar um transporte e ir até alguns pontos turísticos, mas o guia recomendou fazer isso em grupo e não havia mais tempo de contratar um passeio antes da minha partida.
Além disso, nem todo mundo fala inglês e o idioma oficial é o árabe. Até tive ajuda de um jornalista local ao me ver tendo problemas de comunicação em uma cafeteria. Eu procurava um local para comer algo com mais substância no meio da tarde e não estava sendo compreendida. Ele se apresentou e me ajudou pesquisando na internet. Então, ele ofereceu uma carona de carro com o seu motorista ao local e não aceitei, dizendo que acabamos de nos conhecer. Ele entendeu e se ofereceu para me acompanhar a pé até o local.
O alerta tocou na minha cabeça! Ao mesmo tempo, minha intuição dizia tudo bem e fomos conversando os três (o motorista foi junto) por alguns quarteirões movimentados. Avisou para não comer em determinados lugares e me deixou na porta de um shopping. Quando se despediu perguntando se eu precisava de algo mais, eu disse obrigado e eles se foram. Embora pareça arriscado em um país com cultura tão diferente da nossa, consegui interagir com estranhos na rua e foram super educados e solícitos comigo. A minha dica é ficar sempre desconfiada, mas não deixar de aproveitar momentos por medo. Saiba mais no texto as dicas para viajar sozinha no Egito.
Tome Nota Cairo
Hotel no Cairo: Ramses Hilton está no meio do caos do centro e é conveniente por ter fácil transporte e serviços por perto. Escolha um andar alto com vista para o Nilo para ter menos barulho. A decoração é antiga, porém confortável e com vista espetacular. O café da manhã é farto e variado por padrão da rede Hilton.
Quando ir: Cairo tem clima quente com pouca chuva o ano todo. De maio a setembro são os meses mais quentes, sendo julho e agosto os mais visitados. A temperatura na maior parte do ano é agradável.
Onde comer: a oferta é grande e os preços são razoáveis nos shoppings. Tem as redes de fast food internacionais e comida típica muito boa, apenas não me aconselharam a comer na rua. Os restaurantes dos hotéis são um pouco mais caros, porém, nada absurdo.
Veja o meu roteiro completo no Egito


Hospedagem e alguns passeios foram cortesia da Hórus Viagens.
Veja mais fotos do Cairo:






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