A costa selvagem da África do Sul


Antes de começar a leitura um aviso, o tema não será animais africanos e sim, uma baía ainda isolada e adorada por surfistas na costa selvagem da África do Sul. A região, um território independente até poucos anos, leva o nome Wild Coast devido aos antigos naufrágios e merece a visita pelas paisagens, história e etnia Xhosa.

Atenção! África do Sul exige teste PCR negativo feito até 72h antes do último voo. Um questionário deve ser preenchida 48h antes da chegada.

O texto continua após os serviços recomendados no destino.

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CURIOSIDADES SOBRE A WILD COAST

Wild Coast, antiga Transkei e Costa Selvagem em português, é a terra onde Nelson Mandela nasceu, cresceu e está enterrado.

Na época do Apartheid foi um gueto criado pelo governo para a população negra e até hoje continua uma das áreas mais esquecidas do país, tanto pelo governo, quanto pelos turistas.

Hoje concentra a simples e simpática população Xhosa (origem de Mandela), reconhecida pelo som de estalar a língua em quase todas as palavras e as casas redondas típicas. Wild Coast é o lugar para tomar conhecimento ou se aprofundar na cultura deles.

A costa selvagem da África do Sul

Durante a vigem de carro pelo país, parei nas contrastantes Coffee Bay e Cintsa. A primeira foi explorada por surfistas e permanece com características de vila, enquanto a segunda é cidade mais desenvolvida para o turismo e próxima às famosas Port Elizabeth e Jeffreys Bay. Hoje vou me deter no astral alternativo e rural de Coffee Bay.

Ainda na estrada, Alex avisou da nossa última parada em supermercados, pois nos próximos três dias teríamos apenas os pratos feitos do hostel e nenhuma opção para comprar comida. Abastecida de vinhos sul africanos e lanchinhos, viajamos 400 quilômetros esburacados, ansiosos pelas trilhas beirando penhascos, cavernas, aulas de surfe e possibilidade de avistar baleias e golfinhos…

Coffee Bay em dia nublado na costa selvagem da África do Sul
Costa selvagem em dia nublado

Coffee Bay

As boas-vindas no Coffee Shack, um dos hostels pioneiros por ali, foi escolher uma das bebidas no bar e assim entramos na vibe positiva dos locais e turistas do mundo todo. Era preciso conversar um pouco para descobrir quem era quem e foi rápido perceber a integração saudável com a comunidade. Fica na beira da praia, na encosta de uma montanha e a rua em frente, quer dizer, o riacho em frente, separa as áreas de convivência e compartilhadas das cabanas privadas onde nos hospedamos. Na chegada foi tranquilo atravessar o rio com a mochila e voltar para seguir o seu curso até a praia. Na beira do mar não tem areia e sim pedras polidas misturadas com conchas que renderam horas distraídas selecionando, sentindo texturas e formas só pra ter noção da diversidade.

Terapia catar pedras e conchinhas na beira da praia
Terapia catar pedras e conchinhas na beira da praia

No dia seguinte acordei cedo para a trilha prometida – Hole in The Wall. Mas a tempestade era eminente e seria perigoso demais por ser escorregadia. Silas, o guia local, sugeriu uma trilha mais leve pela comunidade rural para ver a verdadeira África e alguns penhascos. Aceitamos.

O caminho até lá foi em van com olhos atentos pela janela, vi mulheres carregando coisas pesadas na cabeça, mercados de rua movimentados vendendo roupas no meio da poeira, muitos cachorros soltos e casas iguais, todas redondas com telhado de palha. Notei este estilo de construção desde a estrada para Coffee Bay e pareceu ser típico da Costa Selvagem, então o guia explicou que toda a família Xhosa tem uma casa assim, mesmo que viva na mais moderna ao lado. Elas são uma conexão com o mundo espiritual, por lembrarem as primitivas ocas, servem para os espíritos dos antepassados reconheçam e possam voltar para sua família.

Dia de trilha na Costa Selvagem

Zona rural de Coffee Bay e as casas redondas
Zona rural de Coffee Bay e as casas redondas
Penhascos na Costa selvagem
Penhascos na Wild Coast

Deixamos a van no alto de uma montanha e seguimos a pé entre vacas, cabras e ovelhas até o encontro do rio com o mar. Uma paisagem linda e a perder de vista. Percorremos a beira dos penhascos e avistamos baleias ao longe. Do outro lado, plantações, casas redondas e o cotidiano dos moradores. Crianças tímidas e fofas corriam, uma mãe preparava o almoço na fogueira, um senhor arava o campo, outros construíam uma casa e todos nos cumprimentavam com sorrisos.

Descemos para um mergulho no rio e paramos para conversar com uma família. Éramos vinte pessoas e o pai pediu 20 rands do grupo como ajuda, fizemos uma vaquinha e ele ficou tão feliz que nos convidou para conhecer a casa dele. Em mais de quinze dias de viagem, foi a primeira vez que alguém nos pediu dinheiro na África do Sul, mas não foi a única, o desenvolvido lado oeste do país tem mais pedintes.

Trilha para mergulho no rio
Trilha para mergulho no rio

O que fazer em dia de chuva

A chuva veio com tudo na tarde e estragou qualquer atividade ao ar livre, o jeito foi hibernar na cabana, escrever, jogar cartas e acabar com o estoque de vinhos até a hora do jantar. Então veio a surpresa, o riacho virou rio, a iluminação da rua era lanterna e a janta nos esperava do outro lado. Atravessei com água na coxa e torci para não piorar na volta. Deu certo, estava pelos joelhos.

Ponto para avistar baleias
Ponto para avistar baleias na Costa Selvagem

No último dia acordei animada para minha primeira aula de surfe, mas murchei quando abri a janela e senti o frio e a chuva, mesmo assim, eu e Gui fomos encontrar o professor de cabeça erguida. Então surfistas locais nos avisaram ser impossível entrar no mar sem levar uma queimadura de mãe d’água. Como consolo, teríamos oportunidades de praticar nas próximas cidades Cintsa e Jeffreys Bay.

Por fim, gostei muito do astral em Coffee Bay. Apesar das expectativas frustradas pela chuva e infestação de mães d’água, nada tirou o brilho do lugar deslumbrante visto nas fotos em dias de sol, muito menos a minha vontade de voltar para fazer as trilhas.

Escritório com vista na cabana do Coffee Shack
Escritório com vista na cabana do Coffee Shack

Coffee Shack Backpackers, o hostel

Em três dias de tempo ruim deu para conhecer bem o hostel, conversar com os proprietários e ver muito mais que só uma hospedagem. O casal de cor branca, Bel e o surfista profissional Dave, chegou ali há quinze anos, quando nem havia encanamento e o fim do Apartheid era recente, mas nada efetivo. Eles abriram o albergue, se envolveram com a comunidade, fundaram projetos sociais e de turismo sustentável e viram o desenvolvimento se formar ao redor.

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Hoje patrocinam o time local de futebol, escolas, auxiliam crianças com materiais e até transporte para continuarem os estudos em outras cidades. Claro que existiam os interesses pessoais. Como tiveram dois filhos e precisavam de uma boa escola, resolveram pensar no coletivo para poder realizar mais por todos. Fizeram um projeto e fundaram uma escola modelo onde pude passar algumas horas com as crianças.

Projeto Social

Escola modelo para crianças de até 6 anos
Escola modelo para crianças de até 6 anos

No espaço, os pequenos de até seis anos aprendem e podem escolher quais atividades querem fazer, sempre com interação e apoio de professores. Desta forma desenvolvem suas aptidões e noção de responsabilidade sem um currículo fixo. A escola é paga, mas é para todos, de filhos de empresários locais até crianças que dependem de doações. E pensando na continuação dos estudos dos filhos, as obras para a nova escola já estavam em andamento.

A nossa cabana no Coffee Shack
A nossa cabana
A cozinha do hostel
A cozinha do hostel

O hostel tem quartos coletivos, cozinha e banheiros comunitários na área principal e opção das cabanas com banheiro e cozinha do outro lado do rio. Todos com preços bem acessíveis. Nosso grupo ficou na casa maior, chamada King’s House, com a melhor vista da praia. Mas o free wifi só funcionava perto da recepção e era bem ruim.

As refeições eram pratos prontos que deveriam ser encomendados horas antes, um pratão delicioso com sobremesa. Nunca consegui comer tudo e comecei a pedir um para dividir com a Cris. As atividades oferecidas são diversas, desde festas temáticas, apresentação de danças típicas, trilhas, vivências com os locais até aulas de tambor, surf e idioma xhosa (a pronúncia é ‘closa’ com o estalar da língua).

Prato bem servido e delicioso
Prato bem servido e delicioso
O banheiro coletivo feminino tem secador de cabelo e camisinhas de graça
O banheiro coletivo feminino tem secador de cabelo e camisinhas de graça
Opções de travessias até a próxima cidade
Opções de travessias até a próxima cidade
Cabanas coletam água da chuva e tem aquecedores
Cabanas coletam água da chuva e tem aquecedores

Tome Nota Costa Selvagem

Suba na montanha ao lado do hostel para ter uma visão 360 graus e assistir o nascer e pôr do sol.

Para doar ou conhecer melhor o projeto de ajuda a comunidade, acesse Sustainable Coffee Bay.

Quando ir: fui no outono, mas a recomendação é visitar no inverno para evitar chuvas e pegar dias com temperaturas agradáveis.

A passagem pela Wild Coast fez parte do roteiro da Pangea Trails, 21 dias pelas estradas da África do Sul e Swaziland. Outra opção é contratar BazBus, o transporte entre Cape Town e Durban com paradas em várias cidades no sistema Hop-On Hop-Off.

Cultura, cartas e vinho bom para dias de chuva
Cultura, cartas e vinho bom para dias de chuva

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Por onde começar a planejar a viagem

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    2.1 Avalie levar chip de celular e vá comprando a moeda aos poucos.
  3. Então monte o roteiro e vá fazendo as reservas de hospedagem e passeios conforme o tempo disponível.

A seguir deixo mais links sobre essa mesma região ou experiência.

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Para saber tudo o que eu fiz durante esta viagem, veja o vídeo e os links para os artigos no post O que fazer na África do Sul – 33 dias em 5 minutos.

O projeto Blogueiros na África do Sul (#DescubraAfricadoSul) foi uma realização do Travel Concept Solution e apoio da Pangea TrailsSouth African AirwaysDetecta Hotel e incentivo da agência nacional de turismo (South African Tourism), da cidade de Joanesburgo (Joburg Tourism) e também de Cape Town (Cape Town Tourism). A viagem foi patrocinada, mas as opiniões aqui expressas são de livre expressão do autor. Veja também os blogs que participaram da viagem: Dentro de MochilãoTerritóriosViajando com Eles e Viagem Criativa.

Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

3 Comentários

  1. Pingback: Wild Coast na África do Sul: o que fazer em Coffee Bay e Chintsa | Quero Viajar Mais

  2. Um diazinho de sol teria feito toda a diferença lá em Coffee Bay, hein?
    Mas ok ok, não dá pra reclamar, mesmo com o tempo ruim foi tudo incrível! 😀

    Já compartilhei o vídeo por aqui também!

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