Os responsáveis por Uluru-kata Tjuta National Park votaram pela proibição da prática de escalada ao monolítico Uluru. Uma das grandes maravilhas naturais do mundo é considerado por muitos como o centro espiritual da Austrália.

E este foi o principal motivo da decisão que vem sendo discutida há anos entre comunidades aborígenes, governos e sociedade civil. Em entrevista, Sammy Wilson reafirmou a importância do lugar dizendo que jamais deve ser um playground como os parques da Disney. E a decisão deve ser respeitada assim como os aborígenes respeitam as leis do país. Subir Uluru está proibido desde outubro de 2019.

Pôr do sol em Uluru
Pôr do sol em Uluru

Quando estive no parque, confesso que fiquei com vontade de subir, mas desisti ao tomar conhecimento do efeito negativo causado na cultura local, além dos riscos à minha vida. Na época escrevi um texto contando o que aprendi e questionei a opinião do leitor. Hora de resgatar este artigo publicado em outubro de 2011.

Atenção! Austrália não está permitindo a entrada de estrangeiros no país até 2021. Apenas residentes da Nova Zelândia conseguem entrar com restrições. 

Nota do editor: Este não é o melhor momento de viajar para fora do Brasil, mas pode ser agradável planejar uma viagem futura ou aprender algo lendo nossas experiências. Continue conosco!

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Uluru: mais uma aventura x respeito aos aborígenes

Em frente ao monolítico Uluru brincando com a perspectiva
Em frente ao monolítico Uluru brincando com a perspectiva

Situado no coração da Austrália, o Red Center é assim chamado por seus tons avermelhados. Também conhecido por abrigar um ícone famoso – Uluru.

Ayer Rock ou Uluru, para os aborígenes e atualmente nome oficial, fica no Uluru-Kata TJuta National Park a 461 km de Alice Springs. É a segunda maior formação rochosa do mundo. Tem 348 metros de altura e 8 quilômetros de circunferência, sendo muito maior embaixo da terra, é como um iceberg que ainda não foi medido.

Uluru também impressiona pela sua mudança de cores durante o dia que varia conforme a iluminação. O nascer e o pôr do sol são imperdíveis e existe um lugar reservado para assistir. Veja a mudança de cores nesta galeria de fotos

Mudança nas cores acontece rápido no pôr do sol
Mudança nas cores acontece rápido no pôr do sol

Como se formou o monte Uluru e a quem pertence

A origem vem de 500-600 milhões de anos quando a maior parte do território australiano era coberto pelo mar. O tamanho era maior e o formato era outro, foi a erosão de milhares de anos a responsável por deixar paredes lisas e formas arredondadas. Em sua última transformação foi uma ilha rodeada por um lago que acabou secando e virou o árido deserto atual. A pedra é formada pelo acúmulo de arenito e minerais que influenciam nas cores como o ferro que causa a oxidação visível de perto.

Em 1985 o governo australiano devolveu as terras de Uluru aos aborígenes locais – os Anangu, que permitiram a criação do parque nacional e a construção de estrutura para turistas. Porém, uma grande polêmica persiste – escalar Uluru ou respeitar a cultura aborígene.

Detalhe da pedra que deixam fotografar mostra a erosão
Detalhe da pedra que deixam fotografar mostra a erosão

A importância de Uluru para os aborígenes

Base Walk
Base Walk

Para o jovem aborígene se tornar adulto e poder ter sua própria família, ele precisa sobreviver no deserto até aprender na prática uma série de ensinamentos – o Walkabout. Quando ele volta, a prova final era escalar Uluru. E essa, na minha opinião, é a maior questão que devemos respeitar a vontade deles. Imagine o que passa na cabeça desses jovens quando veem pessoas subindo somente pelo prazer e com a ajuda de equipamentos, enquanto eles são obrigados a escalar sem tênis, corda, água ou qualquer equipamento para provar que podem fazer parte da sociedade. É um conflito cultural! Como  a maioria das pessoas não respeita e eles também não querem mais conflitos, acabaram com isso. Seus filhos não precisam mais provar que são capazes e o povo esta cada vez mais perdido, sem referências e afundando no álcool.

Pessoas escalando
Pessoas escalando

Além de respeitar as crenças, existe a preocupação com a segurança e o meio ambiente. Muitos turistas já morreram tentando escalar o cume por quedas ou parada cardíaca. Parece fácil, mas qualquer tropeção não tem volta, é muito íngreme. Uluru tem sofrido com a erosão causada pelas escaladas diárias e, como não há nada lá em cima, muitos usam como banheiro. Quando chove, uma grande quantidade de bactérias é encontrada nos buracos de água que são vitais para os animais da região.

Mala Walk - pedra tem formato de onda

Para evitar mais mortes, colocaram uma corda que ajuda na subida e uma placa enorme pedindo para não subir e respeitar as leis e desejos dos Anangu e dos Tjukurpa. Afinal, eles respeitam a nossa vontade.

Fazer somente as trilhas em vez de escalar é o indicado. Existe as opções: Mala walk de 2 km, Base walk de 10,6 km ao redor do monolítico, a menor Kuniya walk de 1 km, Lungkata walk de 4 km e Liru walk de 4 km. Todas são auto guiadas e acessíveis para cadeirantes. No percurso vamos entendendo melhor a cultura e significados das histórias contadas. Alguns lugares são sagrados e só podem ser vistos, não registrados. Outros tem exemplos de arte aborígene que contam sobre o Dreamtime, o conceito aborígene para a criação do mundo.

Trilha no calor do desertoLeia roteiro e as trilhas feitas no parque

Placa em frente ao início da escalada diz o seguinte:

“Nós, os proprietários tradicionais de Anangu, temos isso a dizer. Uluru é sagrado em nossa cultura, um lugar de grande conhecimento. De acordo com nossa lei tradicional, a escalada não é permitida. Esta é a nossa casa”.

“Como guardiões, somos responsáveis pela sua segurança e comportamento. Muitas pessoas não ouvem nossa mensagem. Muitas pessoas morreram ou foram feridas, causando grande tristeza. Nos preocupamos com você e nos preocupamos com sua família. Por favor, não escale”.

E você? Conte o que faria, ou fez, chegando na pedra. Escalar ou respeitar? Conte nos comentários.

Decidi respeitar e as pessoas lá atrás se aventuraram
Decidi respeitar e as pessoas lá atrás se aventuraram

Lua quase minguante entre as nuvens
+ Entenda mais sobre os aborígenes no texto da Juliana

Tome Nota Uluru-kata Tjuta National Park

A entrada no parque custou em 2011 A$ 25 e é válida por 3 dias consecutivos. Os horários de abertura variam conforme a época do ano, mas está sempre aberto entre 6h30 e 19h30.

O parque tem algumas regras, é recomendável passar antes no Cultural Center-Jutu Warara Pitjama e pegar todas as informações. Fica 13 km da base do Uluru e abre diariamente das 7h às 18h. Tem galeria de arte, loja, restaurante, banheiros e é possível ver aborígenes pintando. O seu maior legado.

Como chegar: Tem aeroporto na região, não precisando passar por Alice Springs.

Não esqueça: Relaxe e inspire-se olhando o sol nascer pela manhã, se pôr no final da tarde e a lua nascer a noite. 

Essa piscina em Uluru vira uma cachoeira em época de chuva
Vira uma cachoeira em época de chuva
Ferrugem na pedra
Ferrugem na pedra

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Author Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 15 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

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