Quem já visitou um monumento budista sabe que é um local tranquilo para ficar em paz e compartilhar pensamentos do bem. Agora, imagine a energia de estar no maior templo budista do mundo, rodeado por vulcões (um ativo) e floresta tropical, além de mais de mil e trezentos anos de história! Neste relato, conto como foi subir o Templo de Borobudur antes do amanhecer. Também explico o que ele representa e o que mudou desde a minha visita.

Borobudur fica em Java Central, na Indonésia, perto de Yogyakarta. O templo foi construído entre os séculos VIII e IX como monumento e local de peregrinação budista. Seus níveis representam uma jornada simbólica do mundo dos desejos até a iluminação. 

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Mulher agradece ao lado de Buda dentro de uma estupa no topo de Borobudur
Agradecendo o momento no maior templo budista do mundo

Veja os passeios para conhecer Borobudur saindo de Yokyakarta

Borobudur, o maior templo budista do mundo

O monumento certamente é uma homenagem a Buda, mas o trajeto até o topo também é local de peregrinação. Borobudur conduz o visitante por uma subida simbólica. A base representa o mundo terreno dos desejos. Os níveis seguintes mostram um caminho de desapego. No terraço superior, as estupas (as cúpulas em formato de sino) levam à ideia de iluminação, quando todo o mal vai ficando para trás. Os relevos nas paredes também têm uma função. Eles contam histórias e representam ensinamentos budistas ao longo do percurso. Ou seja, presenciar o nascer do sol é literalmente a melhor experiência em Borobudur.

A sensação de chegar lá no escuro e ver tudo isto tomando forma conforme o avanço dos primeiros raios do sol, provavelmente é maior do que a sua imaginação consegue visualizar. Será preciso ir para a ilha de Java, levantar às três da madrugada e fazer a trilha até o topo de Borobudur para sentir de verdade o que vou tentar mostrar por aqui.

Névoa entre as palmeiras e a silhueta das ruínas deixaram tudo mais bonito no Templo de Borobudur
Névoa entre as palmeiras e a silhueta das ruínas deixaram tudo mais bonito

Por fim, não foi tão difícil quanto subir um vulcão, porém, a caminhada exige algum esforço para quem tem pernas curtas e pouco fôlego. Houve trilha com lanterna, ruínas e uma névoa encantadora se espalhando entre as palmeiras lá embaixo. O sol veio majestoso ao lado da fumacinha do vulcão ativo Monte Merapi e só após o espetáculo veio a percepção real de onde estava e o que acontecia ao meu redor.

Vulcão ativo e lua crescente foram a primeira vista ao chegar ao topo do Templo de Borobudur
Vulcão ativo e lua crescente foram a primeira vista ao chegar ao alto do monumento

A trilha para ver o sol nascer em Borobudur

A escadaria até as estupas do Templo de Borobudur
A escadaria até as estupas

O percurso de quase uma hora é plano até chegar às escadarias de degraus altos e largos. O céu estrelado chama o olhar para cima, mas não ajuda a iluminar o caminho entre as pedras. Logo, é melhor focar no chão com a luz da lanterna e deixar para curtir o visual quando estiver no topo.

Lá me acomodei no local sugerido pelo guia, deixei a GoPro tirando fotos sozinha e me controlei para aproveitar o momento mais presencialmente do que pelo visor da câmera. Claro que houve registros, mas sem exageros para poder me sentir realmente envolvida pela aura de Borobudur.

Pessoas meditando no Sol nascendo visto do Templo de Borobudur
Pessoas meditando

Notei os Budas dentro das estupas, o formato das pedras vulcânicas, a cúpula maior e a movimentação das pessoas. A maioria enlouquecida com as selfies; outras registrando o cenário; e algumas em posição de meditação, como se estivessem ali sozinhas por horas.

A descida é um pouco mais complicada. Ali percebi a altura na luz do dia e a dimensão dos degraus. A ocasião pede paradas para fotografar a toda hora.

Estupas no alto, dentro de cada uma tem a imagem do Buda
Estupas no alto, dentro de cada uma tem a imagem do Buda

Templo de Borobudur ontem e hoje

Durante o passeio, explicaram que Borobudur foi originalmente criado para ser um templo hindu por volta do século VIII e, posteriormente, recebeu as estupas budistas. Foi construído sobre uma colina, considerada um centro natural no Vale do Kedu, e acompanha o formato do terreno. A informação sobre as datas e as motivações de sua construção é incerta porque o templo ficou séculos esquecido após o avanço do islamismo na Ilha de Java. Foi tomado pela selva, sufocado pelas cinzas das erupções vulcânicas e sacudido por diversos terremotos (motivo de vários budas terem perdido as cabeças) até ser redescoberto por arqueólogos europeus em 1814. Mas só foi restaurado e aberto ao público em 1983, após a intervenção da UNESCO. Hoje é  Patrimônio da Humanidade.

O templo principal visto de lado é uma pirâmide
O templo principal visto de lado é uma pirâmide

Olhando de cima, fica clara a semelhança com uma mandala. São terraços ornamentados por imagens de Budas que vão diminuindo a cada andar e o topo tem 72 estupas rodeando uma maior no centro. Mas dizem ser a flor de lótus a inspiração da arquitetura, o que não foge muito do formato de um círculo sagrado. Antigamente, a região era alagada e o templo surgia grandioso no meio da água, como acontece com a flor. Ao lado do templo principal ficam outros dois menores, complementando o conjunto arquitetônico Borobudur.

Painéis em relevo contam a história da humanidade e dos ensinamentos budistas no Templo de Borobudur
Painéis em relevo contam a história da humanidade e dos ensinamentos budistas

Curiosidade sobre o Templo de Borobudur

Diz a lenda que, para colocar a mão dentro da estupa e tocar o dedo do Buda, é necessário ter um pedido atendido. Parece fácil, mas não vi ninguém conseguindo e não quis arriscar pela quantidade de teias de aranha iluminadas pelo sol.

As paredes contam histórias em relevo nos 2.672 painéis, além dos 504 budas.

Templo de Borobudur tem 504 imagens de Budas
Templo de Borobudur tem 504 imagens de Budas

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Decoração nos jardins do Maohara, perto do Templo de Borobudur
Buda no jardim do Manohara Resort

Onde ficar perto de Borobudur

Conheci dois hotéis durante a estada em Magelang:

Manohara Resort fica a 5 minutos a pé do templo e oferece outras atividades na região sem a necessidade de usar transporte, como ver o pôr do sol ou passear na comunidade. Utilizei apenas o serviço de café da manhã e adorei o astral do lugar. Se tivesse dormido aí, ganharia mais uma hora de sono. Eles também oferecem um tour com day use e entrada premium em Borobudur.

Atria Hotel foi o mais confortável no centro de Magelang. Está localizado perto de outras atrações, mas, nesta viagem, o foco era apenas o templo. Os quartos têm decoração javanesa contemporânea e o restaurante oferece jantar típico com barraquinhas de comida local e farto bufê.

Como visitar o Templo de Borobudur em 2026

Minha experiência aconteceu em 2016, mas amigos confirmam que ainda é possível subir ao Templo de Borobudur. O acesso, porém, mudou e hoje exige um ingresso específico. Há uma opção para conhecer a área externa e outra para chegar à parte mais alta da estrutura do templo. A visita ao monumento acontece em horários controlados, com guia e uso de upanat, uma sandália especial criada para proteger as pedras.  

A entrada regular funciona diariamente, das 9h às 17h. Para ver o nascer do sol no alto de Borobudur, é preciso reservar a experiência própria para esse horário. As vagas são limitadas e os participantes chegam antes do amanhecer. 

Como as regras podem mudar em feriados, celebrações budistas e períodos de maior movimento, consulte os horários disponíveis na data da viagem antes de contratar o passeio.

Como chegar a Borobudur saindo de Yogyakarta

Borobudur fica em Magelang, na região central da Ilha de Java. A viagem desde Yogyakarta leva cerca de uma hora, dependendo do trânsito. É possível ir de carro alugado, shuttle desde Malioboro, táxi com motorista, veículo por aplicativo, scooter ou tour guiado. Para o programa de nascer do sol, vale reservar um transfer ou escolher uma atividade guiada com saída de madrugada.

Vale a pena contratar uma excursão?

Se prefere não perder tempo com transporte e ingressos, compare os passeios em Borobudur e escolha o que combina com o seu roteiro.

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Fotos de Borobudur

As imagens abaixo e ao longo do texto mostram as estupas, os Budas, os relevos e a paisagem vista durante o amanhecer em Borobudur. Todas foram feitas durante a minha visita ao monumento em 2016.

Vulcão inativo Monte Sumbing e as ruínas
Vulcão inativo Monte Sumbing e as ruínas

Overtourism na Indonésia

Mesmo sendo a atração turística mais popular e o segundo destino mais visitado da Indonésia, atrás apenas da ilha de Bali, o lugar está sempre lotado. O incômodo causado pela quantidade de pessoas é o de menos e acaba sendo facilmente relevado. Esqueça apenas a ideia de conseguir uma foto do templo sem pessoas. Se acontecer, será sorte sua.

Mulher com chapéu fotografa o Sol nascendo visto do Templo de Borobudur desde a pirâmide
Fotógrafos

Esta viagem foi um convite do Ministério do Turismo da Indonésia para participar do Trip of Wonders 2016.

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Perguntas frequentes

Borobudur ou Borobodur: qual é a grafia correta?

O certo é Borobudur, mas o erro é comum nas pesquisas em português.

Qual é a função do templo de Borobudur?

Além de oferecer um cenário espetacular, a caminhada pelo templo conduz o visitante por uma subida simbólica, conforme a crença budista

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Autor Roberta Martins

Comunicadora, idealizadora deste site, fotógrafa e guia de turismo. Há 20 anos relata suas experiências de viagem focando em cultura e aventura. Saiba mais na página da autora. Encontre no Instagram

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