Para quem viaja com frequência, os programas de fidelidade funcionam como um cofrinho digital: anos de voos e estadias em hotéis se acumulam e são convertidos em milhas, upgrades e diárias gratuitas. O problema é que, à medida que esses saldos se tornam mais valiosos, eles acabam atraindo a atenção também de um público indesejado: o dos cibercriminosos. Nos últimos anos, contas de programas de fidelidade de companhias aéreas e hotéis hackeadas se transformaram em uma economia subterrânea silenciosa e lucrativa, com milhas e pontos roubados sendo negociados como moeda digital.
Os novos favoritos dos hackers
O motivo por que os criminosos cibernéticos têm se interessado por esses benefícios é que, ao contrário dos cartões de crédito, os pontos de fidelidade nem sempre são tão rigorosamente regulamentados ou monitorados quanto às fraudes. Uma vez que um criminoso obtém acesso a uma conta, ele pode rapidamente resgatar milhas por voos, reservar quartos de hotel ou converter pontos em cartões-presente. Tudo isso sem disparar alarmes imediatos.
Há também um forte mercado de revenda. Em fóruns da dark web, contas de fidelidade comprometidas são anunciadas com detalhes como a marca da companhia aérea, o saldo de pontos e, às vezes, até mesmo o nível de status do cliente. Isso cria uma maneira de baixo risco de monetizar credenciais roubadas sem precisar lidar diretamente com bancos.
Contas fáceis de invadir
A maioria das violações não depende de ferramentas sofisticadas. Muitas vezes, os criminosos se apoiam apenas em vulnerabilidades comuns no comportamento dos usuários e nos sistemas online.
Um dos principais pontos de entrada é o phishing. E-mails ou mensagens falsas, fingindo ser de companhias aéreas ou hotéis, são usadas para enganar os usuários e incuti-los a clicar em links maliciosos e inserir seus dados de login. Essas mensagens geralmente fazem referência a alterações de voo, ofertas de bônus ou verificação de conta para criar um senso de urgência e obliterar qualquer capacidade de reflexão das vítimas.
Outro ponto de entrada ocorre por meio de redes Wi-Fi públicas, que geralmente não possuem nenhuma forma de controle ou segurança. Essas conexões, comuns em aeroportos ou hotéis, permitem que invasores na mesma rede interceptem o tráfego dos usuários ou os redirecionem para páginas de login falsas. Nesses cenários, as contas de fidelidade se tornam danos colaterais da conectividade desprotegida.
Uma vez dentro de uma conta, os criminosos agem rapidamente, alterando informações de contato, sacando a pontuação do usuário ou reservando voos com nomes falsos. Quando o verdadeiro proprietário percebe, as recompensas geralmente já desapareceram para sempre.
Como proteger seus pontos de fidelidade
Proteger contas de fidelidade não exige medidas extremas, mas sim consistência e hábitos inteligentes, como usar VPN ou adotar senhas fortes e exclusivas para cada serviço. O segredo está em dificultar ao máximo o acesso dos criminosos aos seus dados, afinal, a facilidade é justamente um dos maiores atrativos desse tipo de golpe.
Para as credenciais, especialistas recomendam o uso de um gerenciador de senhas para gerar e armazenar combinações complexas sem obrigar os usuários a memorizá-las. Isso por si só bloqueia a maioria dos ataques de preenchimento de credenciais.
Habilitar a autenticação de dois fatores é outra medida que ajuda a proteger as contas de forma prática e eficiente. Com essa função, mesmo que a senha seja comprometida, uma etapa extra de verificação vinculada ao telefone ou e-mail do usuário impede a invasão.
Ao viajar, deve-se ainda evitar acessar contas de programas de fidelidade em redes de Wi-Fi públicas que não são seguras. Se você precisar se conectar, uma VPN adiciona uma camada essencial de criptografia, protegendo seu tráfego contra interceptação em redes compartilhadas e reduzindo o risco de ataques que podem roubar suas credenciais.
E, para concluir, é aconselhável manter uma conta de e-mail principal protegida. Como a redefinição de senhas geralmente é feita por e-mail, uma caixa de entrada comprometida pode desencadear uma reação em cadeia em todos os seus serviços de viagem.
Uma nova realidade para viajantes digitais
Embora seja verdade que cabe às companhias aéreas e às redes hoteleiras fortalecerem seus sistemas de defesas online, atualmente, a responsabilidade também recai sobre os usuários. Eles devem, portanto, tratar suas milhas e pontuação de fidelidade como dinheiro, não como benefícios de marketing. Com senhas fortes, autenticação de dois fatores e hábitos de navegação mais seguros, incluindo o uso de uma VPN quando estiver fora de casa, os usuários podem reduzir significativamente as chances de que sua próxima viagem tenha sua pontuação de fidelidade roubada.
Com mais e mais viagens sendo facilitadas por aplicativos e contas virtuais, proteger seu saldo de fidelidade não é mais opcional. Agora é parte integrante de ser um viajante inteligente e conectado.
Imagens sem marca d’água de Pexels.
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