Um destino cada vez mais no radar de quem busca desacelerar e se reconectar com a natureza. Conheci Urubici na Páscoa de 2008, fiquei encantada e volto sempre que posso. O legal é a essência da viagem continuar a mesma: paisagem com cânions, cachoeiras, gastronomia e aquele clima de refúgio rural na Serra Catarinense.
O que mudou foram as regras de visitação, a estrutura dos atrativos e a quantidade de atividades, hospedagens e serviços disponíveis. Por isso, resgatei meu relato original, repleto de memórias, lama, esforço e boas histórias, e acrescentei as informações necessárias para organizar essa viagem atualmente. Também incluí sugestões para conhecer Urubici em diferentes estações do ano.
Atualizado em
A cidade ganhou reconhecimento internacional
A natureza sempre foi a grande protagonista e o que motiva o meu retorno. Mas a estrutura ao redor mudou bastante. Surgiram novas cabanas, experiências rurais, atividades de aventura e formas diferentes de contemplar as paisagens. O reconhecimento internacional veio em 2025, quando Urubici apareceu entre as dez cidades mais acolhedoras do mundo no Traveller Review Awards da Booking.com. A escolha foi baseada nas avaliações das hospedagens. Para mim, faz sentido porque sempre fui bem recebida por ali.
Isso é perfeito para quem não se importa em passar trabalho na natureza, mas faz questão de conforto no final do dia, diante da lareira ou de uma janela voltada para as montanhas. “Suíça brasileira” é o apelido por ser um dos poucos lugares onde pode nevar de verdade. Apenas não espere por isso. Eu nunca presenciei neve no Brasil.

Parte dos atrativos fica em propriedades particulares, enquanto outros estão próximos ou no Parque Nacional de São Joaquim. Agora, alguns dos cenários mais interessantes vi após enfrentar barro, pedras, rios e subidas durante as trilhas.
Roteiro de 3 dias entre cachoeiras e montanhas de Urubici
O nosso grupo caminhou cerca de 25 quilômetros em 5 trilhas diferentes nos três dias em Urubici. E poderia incluir outras, afinal, o município tem mais de 80 cachoeiras, muita água, ar puro, plantações, morros, pedras, subidas e descidas. Viajei em excursão e os companheiros foram perfeitos, pessoas divertidas com idades e profissões distintas, mas com as mesmas afinidades em relação à natureza e às caminhadas.
Dia 1: Trilha da Pedra Furada
Foram oito horas de viagem entre Porto Alegre e Urubici pela Serra do Rio do Rastro. Como viajamos à noite, não pudemos apreciar a paisagem, mas chegamos cedinho e, em seguida, já começaram as trilhas.
A Pedra Furada é um lugar cercado por lendas e misticismo. Mata fechada, barro preto. Foi bom não ter chovido, pois as descidas seriam super escorregadias. Mesmo assim, houve alguns tombos, arranhões, tênis perdido no meio da lama e calção rasgado. Havia muita pedra solta, barrancos e lugares em que, sem uma corda, seria impossível avançar.
A trilha foi em ótimo clima, com sol entre nuvens. Não estava tão frio. A temperatura variou entre 10 e 24 graus, e a visibilidade estava boa. Quando o céu está limpo, é possível enxergar o mar na direção de Garopaba, mas só vimos névoa. Chegamos ao objetivo, o meio da Pedra Furada ou Portal. Como dizem alguns, ele seria uma passagem para outra dimensão. A caminhada acontece na região do Morro da Igreja, a 1.822 metros de altitude, em um dos pontos mais elevados da Serra Catarinense.
Como visitar a Pedra Furada em 2026
Primeiro, não precisa de trilha para observar a Pedra Furada à distância, desde o mirante do Morro da Igreja, e pode ir de carro. Mas exige agendamento ao menos uma semana antes. Embora gratuito, o ingresso físico deve ser retirado na sede do Parque Nacional de São Joaquim antes da subida.
Já a trilha até a Pedra Furada deve ser feita com guia local. O terreno é acidentado, pode haver neblina e o percurso exige conhecimento das regras do parque. Foram cerca de 8,5 km em cinco horas, de dificuldade média.
Dia 2: Rio Sete Quedas, Morro do Campestre e zona rural
Começamos cedo, subindo pelo meio do rio e passando por 7 cachoeiras com algo especial. Não sei se havia alguma característica específica na água, mas a sensação depois do banho foi de pele surpreendentemente macia. Os pés nem pareciam os de alguém fazendo trilha, o resultado parecia melhor que muito creme hidratante. Ao final, entramos no mato e passamos por propriedades rurais típicas da região.
O Rio Sete Quedas fica em uma propriedade particular, a aproximadamente sete quilômetros do centro de Urubici. A trilha, de cerca de 2 km subindo o leito, fecha no inverno e avisa pelo Instagram @sitiosetequedasurubici as datas de reabertura, provavelmente na primavera.

Durante a tarde, o passeio foi mais pesado, porém a paisagem valeu o esforço. Era literalmente de tirar o fôlego, pela vista e pela subida! O objetivo era o Morro da Cruz (hoje Morro do Campestre), outra pedra furada. Lá em cima, minhas energias quase faltaram. Sorte que eu tinha chocolate na bolsa, me deu uma tremedeira pela falta de glicose. A última caminhada do dia foi a volta para o hotel pela estrada, comendo poeira dos carros e tirando fotos dos locais. Uma paisagem típica da serra sulista, muito verde das araucárias e pinheiros. Várias flores em todos os caminhos e estávamos no outono. Fiquei imaginando como deve ser lindo na primavera. Foi realmente um dia intenso e especial, cachoeira energizante, vista para as montanhas e noite divertida com novos amigos feitos na excursão.



Como visitar o Morro do Campestre em 2026
Hoje o cenário é mais seguro com passarelas e parapeitos, só que bem mais movimentado, principalmente nos finais de semana e ao pôr do sol. Precisa comprar ingresso e pode ir de carro. Veja explicações no Instagram @morro.docampestre.
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Dia 3: Trilha da Cascata do Avencal
As dores no corpo começaram a incomodar. Disseram que a trilha seria fácil, mas essa classificação depende muito do seu condicionamento físico e da situação do terreno, afinal, escalar pedras grandes e troncos caídos sentindo dor piorada pela umidade é complicado. Novamente valeu o esforço, outra cachoeira grandiosa com uma força a ponto de criar um vendaval atingindo tudo ao redor. Por outro lado, os rostos cansados e felizes diziam tudo: como é bom fazer este tipo de passeio ao lado de amigos cheios de disposição.
Como visitar a Cascata do Avencal em 2026
Atualmente, a Cascata do Avencal pode ser contemplada de diferentes áreas e propriedades. Antes de ir, confirme qual acesso pretende utilizar, os horários de funcionamento, valores e se a trilha para a base está aberta. Chuva e volume de água podem alterar a segurança do percurso. Sem fazer trilhas, pode ir até alguns dos mirantes, como a passarela de vidro, ou contratar atividades de aventura como a tirolesa e o pêndulo.
Onde ficar em Urubici
Já me hospedei em casa por temporada e no Urubici Park Hotel. Gostei mais do hotel pela localização, a comida caseira do restaurante e a estrutura oferecida ao grupo.
Ficar no centro é prático para restaurantes, mercados e ponto de encontro com os guias. Na zona rural vale pelo silêncio, paisagens e contato com a natureza. Confira se o lugar tem calefação ou lareira se viajar no inverno. As casas podem ser bem geladas e com frestas. Se não está acostumado com frio, prefira ficar em um bom hotel.
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Sabores também contam a história da viagem
Entre as refeições marcantes da região, está a truta à portuguesa no A Taberna Bistrô. O restaurante fechou, mas há outros estabelecimentos bem avaliados servindo o peixe que combina muito bem com o clima serrano. Além da truta, pinhão, queijos e embutidos artesanais, cafés coloniais e vinhos de altitude devem ser incluídos nas experiências gastronômicas da Serra Catarinense.

Como endereços e horários mudam, procure sugestões recentes na sua hospedagem e faça reservas, principalmente nos finais de semana, feriados e durante a alta temporada de inverno.
Qual é a melhor época para ir a Urubici
Pode visitar o ano todo, a escolha depende do seu estilo de viagem. De novembro a março, terá temperaturas agradáveis para banhos de cachoeira e calor durante o dia. Início da manhã e da noite serão frios por conta da altitude. Há maior probabilidade de chuva durante a primavera.
Entre junho e agosto, o frio, a geada e as manhãs branquinhas mudam a paisagem da Serra Catarinense. Em ondas de baixa temperatura mais intensas, pode nevar, especialmente nas áreas de maior altitude, mas o fenômeno é imprevisível e não deve ser a única razão da viagem. Mesmo sem neve, o inverno favorece experiências aconchegantes e, inclusive, visitas a mirantes e caminhadas em dias de tempo firme. Consulte a previsão e confirme as condições do terreno e dos acessos antes de sair.

O que levar e como se vestir na Serra Catarinense
Em qualquer estação, leve roupas que possam ser usadas em camadas. Um casaco quente por cima e peças mais leves por baixo. Manhãs e noites podem ser frias enquanto as tardes ficam mais agradáveis. Se for fazer trilhas, inclua calçado com boa aderência, capa impermeável, meias extras, garrafa de água e um lanche. É parecido com se vestir nos Aparados da Serra.
Urubici além das trilhas exigentes
Não é preciso passar todos os dias subindo morros e atravessando rios para aproveitar o destino. Urubici também oferece mirantes acessíveis por carro, pôr do sol, piqueniques e atividades ligadas ao turismo rural e ao enoturismo. Assim dá para manter o roteiro flexível para quem viaja em grupo com gostos distintos ou quando o clima ruim impede a caminhada. Na serra, onde nevoeiros são frequentes, ter um plano alternativo faz parte do planejamento.
Em três dias dá para seguir um roteiro parecido com o meu: uma caminhada mais exigente, um dia entre rios e paisagens rurais e uma experiência na Cascata do Avencal. Se não for adepto das trilhas, pode fazer mais coisas nesse período, mas atente ao fato de os atrativos estarem espalhados por diferentes estradas e nem sempre o clima colabora. Com quatro noites, é possível reservar os dias inteiros de passeios, trocar a programação em caso de chuva e ainda aproveitar a estrutura da hospedagem. Esse cuidado é especialmente importante no inverno, quando vento, geada e neblina podem alterar os acessos. Já nas outras estações, as chuvas fortes deixam pedras e terrenos escorregadios.
A minha primeira viagem com os três dias de trilhas foi organizada pela agência Ecocaminhantes e tinha o Iran como guia local. Ele pode ser encontrado na Secretaria de Turismo. Virei fã do grupo (Ronaldo, Susy e Guilherme), pessoas especiais que fazem de tudo para o roteiro ser inesquecível.
Perguntas Frequentes
Algumas são curtas e acessíveis, enquanto outras têm barro, pedras soltas, rios e desníveis. Verifique a dificuldade de cada percurso e não escolha apenas pela distância.
O carro facilita o deslocamento porque os atrativos ficam espalhados. Mas há opções de transfers e passeios com transporte. Veja o orçamento na RentCars para retirar veículo em Florianópolis.
Combine o Morro da Igreja com a Cascata do Avencal. Caso prefira caminhar, dedique o dia inteiro a uma trilha guiada.
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2 Comments
“Estávamos a 1822 metros de altitude, o ponto mais alto e frio do sul do Brasil.” O ponto mais alto do Sul do Brasil é o Pico Paraná, que fica a 1.877 metros de altitude em relação ao nível do mar.
Oi Lucio, obrigada pela informação, este texto é bastante antigo quando eu escrevia por hobby e não me atentava para detalhes como este. O Sul para mim, na época, era SC e RS. Aos poucos tenho revisado e arrumado os textos antigos, afinal são quase 1500 ao total