Macapá, capital do Amapá, me deu mais do que esperava. Voltei com lições não aprendidas na escola e pouco encontradas nos livros. Ao longo da jornada, fui entendendo como o destino combina pré-história, cenário amazônico, cultura e geografia rara de cidade isolada por grandes rios e densa floresta.
Conto o meu roteiro de 5 dicas com dicas úteis, minhas impressões e achados: da arqueologia ao ecoturismo, da preservação ao meio do mundo. Prepare-se para comer muito açaí com vista e brisa do maior rio do mundo.
Acesso rápido:
Para contextualizar: viajei solo e, no norte do país, é impossível se sentir sozinha porque as pessoas puxam conversa, oferecem boas dicas, perguntam de onde vem e com o que trabalha… Mas nada cansativo, recomendo manter as conversas e usar o bom senso quanto à segurança. Enfim, Macapá é aquariana como eu e acabou de completar 268 anos, deixo curiosidades exclusivas para começar.
Macapá é singular: veja algumas curiosidades
- Macapá é a única capital do mundo por onde passa a Linha do Equador. De um lado é o hemisfério sul e do outro é o norte. Inclusive, tem um estádio de futebol chamado Zerão onde cada time ataca ou defende em hemisférios opostos.
- Durante os equinócios (em março e em setembro), o sol se alinha perfeitamente com o Marco Zero, criando um fenômeno que projeta a sombra do monumento sobre exatamente a linha do Equador.
- Macapá também é a única capital brasileira banhada pelo Rio Amazonas, o maior curso de água do mundo em extensão e volume.

- Abriga a maior fortificação portuguesa das Américas, construída para defender a Amazônia no século XVIII.
- É a capital brasileira mais isolada por não ter ligação rodoviária com o restante do país. Barco ou avião são as formas de transporte essenciais.
- Seu nome é de origem indígena: macapaba, que significa “lugar de bacabas”, basicamente o açaí regional colhido de uma palmeira nativa bem alta.
- É descrita como o coração da Amazônia por estar rodeada pela floresta em um estado com mais de 70% de território natural preservado.

Roteiro completo de cinco dias em Macapá
Cheguei de madrugada e a primeira dica é escolher hospedagem com antecedência porque a estrutura hoteleira da capital é precária e as melhores opções lotam rápido. O Amapá Hotel está localizado a curtas caminhadas dos principais pontos turísticos do centro. Foi recomendado por moradores e é realmente a melhor escolha pela limpeza e padrão internacional de hospedagem. Com instalações modernas e atendimento cordial, ele oferece um excelente café da manhã com produtos regionais e nacionais. Alguns quartos têm vista para o rio e o centro de Macapá.
Já o Hotel Norte oferece um bom café da manhã e suítes minúsculas em bairro próximo ao aeroporto e fácil de chegar ao Museu Sacaca a pé.
Macapá é um lugar onde poucos turistas visitam, fui sozinha no estilo slow travel (devagar, pensando no bem-estar) e achei várias coisas para fazer. Além dos atrativos turísticos (maioria gratuita ou com preço simbólico), adorei observar o modo de vida das pessoas. Se não tem tempo para viajar dessa forma, programe-se para ficar 2-3 dias sem considerar os passeios para outras cidades. Eu fiquei 5 e este foi o meu roteiro:
Dia 1 – Parque-museu e Orla de Macapá
Aproveitei para visitar o atrativo mais perto do hotel e fiquei encantada com o Museu Sacaca. Reserve ao menos duas horas para explorar todos os espaços, e muito mais para tirar fotos e relaxar.
Museu Sacaca
Mostra o modo de vida das comunidades tradicionais do estado do Amapá desde os primeiros habitantes, além da fauna, botânica e curiosidades da região. Apresenta passarelas e ambientes recriados para se sentir na floresta amazônica. Além de ser um museu repleto de informações interessantes, é um local agradável para relaxar em meio à natureza, com praça de alimentação e bancos espalhados.
Onde: Avenida Felíciano Coelho, 1509.

Com a temperatura mais baixa, no fim de tarde, caminhei até a orla para ver o Rio Amazonas e fui margeando ele até o Parque do Forte, onde encontrei muitas pessoas praticando esportes ou curtindo a brisa. As noites devem ser aproveitadas na rua, ao ar livre. Totalmente seguro, nenhum lugar é, mas nas áreas dos restaurantes e trapiches foi tranquilo circular até tarde da noite com fluxo de pessoas. O lugar mais agradável é na Rampa do Açaí, ali o vento noturno é constante como se um ventilador estivesse ligado na nossa cara.

A Orla de Macapá tem cerca de 6 km seguindo a rua Beira-Rio, que passa por píeres, parques, praças, quiosques e monumentos. Como a Pedra do Guindaste e o Monumento de São José. Fica 300 metros margem adentro e abriga a imagem do padroeiro da cidade. O local é cercado por lendas como a da Cobra Sofia, supostamente o animal bebe a água do rio para evitar a inundação da cidade. O Trapiche Elizer Levy é outro ponto famoso, porém, estava em reforma durante a minha visita. Normalmente, tem um bondinho elétrico para transportar turistas por seus quase 400 metros de extensão.
Rampa do Açaí
É um deck decorado de roxo com canteiros floridos, quiosques para comer, bancos para sentar e curtir o visual para o rio. O nome é devido ao local por onde o açaí chega de barco. Não tem horário, depende da maré alta.
Onde: rua Beira Rio, 785-961.
Dia 2 – museu, artesanato e comida típica
Por conta do calor, é difícil sair do ar-condicionado do hotel entre 11 e 15 horas. Uma saída é almoçar nos shoppings ou restaurantes climatizados. Neste dia, aproveitei para trabalhar um pouco e fui passear somente no meio da tarde. Novamente, caminhei até a orla para explorar a parte mais ao norte e o centro. Entrei no Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva, na Casa do Artesão Amapaense, e sentei na Praça do Coco para ver o movimento, comer e beber um drink em frente ao Rio Amazonas. Vários quiosques e carrocinhas vendem comida típica do Amapá por ali.
Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva
Exibe painéis com textos e fotos explicando a história do estado, com acompanhamento de um monitor tirando dúvidas. Destaque para os documentos e peças de cerâmica pré-histórica encontradas na região norte, como as urnas funerárias.
Onde: avenida Mario Cruz, 0376.
Casa do Artesão Amapaense
É o maior centro do artesanato do Amapá. Exibe e vende produtos indígenas e criados com matéria-prima da Amazônia.
Onde: Rua Francisco Azarias da Silva Coelho Neto, S/N.
Dia 3 – Marco Zero, praia e parques
Passe ao menos duas horas no Bioparque da Amazônia, o único lugar confortável para ficar ao ar livre durante o meio-dia por conta da vasta sombra da copa das árvores e da estrutura criativa do mobiliário rústico. Não costumo fazer trilhas sozinha, mas senti segurança ali porque os percursos são curtos, é fechado, cobra ingresso, tem funcionários e boa sinalização. Dá para ter a sensação de como é caminhar na Amazônia do Amapá sem sair da capital. Em poucas horas vi quatis, cutias, lagartos e muitos urubus soltos.

Bioparque da Amazônia
Uma reserva ecológica agradável para passar o dia relaxando em meio à floresta Amazônica com oportunidade de ver animais (infelizmente, alguns em jaulas). Há opções pagas para praticar esportes como canoagem, parede de escaladas, tirolesa, ou muitas trilhas por toda a área. Restaurantes e lanchonetes vendem pratos típicos da região com preços acessíveis. Durante a semana no mês de agosto, havia poucas pessoas no parque, mais funcionários que turistas, na verdade.
Onde: rodovia Josmar Chaves Pinto.

No caminho, coloque uma parada Marco Zero do Equador. Na frente, há praça de alimentação, áreas de lazer e o parque temático Meio do Mundo, um cenário diferente com esculturas gigantes e coloridas de animais. Porém, sem árvores ou coberturas protegendo do sol. Vale ir no final da tarde, quando fica animado. Escolhi visitar o Marco Zero pela manhã para tirar fotos e evitar o movimento de pessoas. Havia apenas uma família da Guiana Francesa, tirei algumas fotos deles e eles de mim.
Marco Zero do Equador
O nome não representa onde a cidade teve início e sim, por onde passa a linha do Equador. A latitude 0. Um obelisco e um monumento de 30 metros marcam a passagem da divisão imaginária separando os hemisférios norte e sul.
Tentei me equilibrar como fiz perto de Quito e não senti a mesma sensação de estar no meio do mundo, onde as forças agem e a gente sente na pele. Talvez seja a confluência de longitude e latitude 0°0’0” responsável pelo efeito.
Onde: Jardim Marco Zero.

Após sair do Bioparque, aproveitei a proximidade com a Fazendinha para visitar uma praia de rio. Também não tem sombra e ver os navios passando na frente não deu vontade de entrar na água. O lugar é legal para almoçar pela variedade de restaurantes com vista e um garçom disse ser bem movimentado nos finais de semana ou à noite, naquela tarde estava vazio.

Dia 4 – Mercado, fortaleza e centro

Passei várias vezes pela frente, mas somente neste dia parei e sentei para comer no Mercado Central. Já aviso que, para provar frutas e sucos naturais, deve ir pela manhã. Somente os bares funcionam à tarde com a animação da música ao vivo. Ideal visitar nos dois horários. O letreiro com o nome da cidade fica em frente, assim como a famosa fortaleza ícone da capital, é só atravessar a rua. Contei a história e os detalhes para visitar no texto: Três passeios gratuitos unindo natureza e história.

Dia 5 – Imersão na floresta Amazônica
Foi o único dia que consegui agendar um passeio com um receptivo local. Entre os passageiros, apenas uma moradora, um turista paulista e eu. Há poucas opções porque não tem procura e espero realmente incentivar a sua viagem para lá e criar demanda sustentável onde a Amazônia é a mais preservada no Brasil. Conforme dados do INPE, de 2023/2024, o Amapá teve taxa zero de desmatamento, além de ser rico em árvores gigantes, concentrando grandes estoques de carbono.

E a excursão foi justamente em busca das Samaúmas, as mães da floresta para os ribeirinhos. O relato completo e como fazer a saída contei no texto sobre a visita à Ilha de Santana.
Passeios pelo interior do Amapá
Investiguei onde ir nos arredores e apareceu Mazagão, por sua história e cultura de origem portuguesa e marroquina, porém, não encontrei passeios para lá durante a minha estada. Também surgiu Oiapoque, o famoso ponto mais ao norte do Brasil e local de sítios arqueológicos, que faz fronteira com a Guiana Francesa.
Parecia fácil atravessar a Ponte Binacional, mas não é. Para o estrangeiro entrar no Brasil por ali é simples e vi mais americanos e gente falando francês do que turistas brasileiros no Amapá. Para nós, há exigências rigorosas na imigração e acabei desistindo de enfrentar 10 horas de estrada parcialmente asfaltada (as obras da rodovia BR-156 estão previstas para finalizar em 2026).
Deve organizar tudo com antecedência para garantir a travessia ou passeios pelo interior do Amapá. Atualmente, Oiapoque está se desenvolvendo e expandindo rapidamente com o anúncio de possível exploração de petróleo na Margem Equatorial da foz do Rio Amazonas. Provavelmente terá mais estrutura para visitar nos próximos anos. Mas o motivo deveria ser outro após descobrir que algumas cidades no norte do estado têm sítios arqueológicos tão importantes quanto os dos Incas e Maias.
Free shop: compras sem impostos
Macapá possui um dos raros aeroportos permitindo acesso ao Duty Free sem a necessidade de ser passageiro. Esse privilégio alfandegário ocorre por conta da Área de Livre Comércio de Macapá e Santana (ALCMS).
Mas se quiser produtos com matéria-prima regional, o melhor lugar para comprar óleos extraídos da floresta Amazônica é ao lado do museu Sacaca. E produtos típicos são na Casa do Artesão, ambos mencionados acima.
Macapá fica onde
A capital do Amapá está localizada no extremo norte do Brasil, onde o Rio Amazonas encontra o Oceano Atlântico, bem no Delta do Amazonas. Como expliquei no início, é a única capital brasileira inacessível por estrada a partir de outros estados. Localize-se no mapa, veja os endereços dos pontos turísticos e saiba como chegar e circular no próximo tópico.
Como chegar a capital do Amapá
Isolada por grandes rios e densas florestas, Macapá e região são acessíveis somente por meio fluvial ou aéreo. A forma mais comum é de barco a partir de Belém ou Santarém (PA), Manaus (AM) e outros destinos da Amazônia.
Do novo Terminal Hidroviário de Macapá ou o de Santana partem as opções embarcadas, dormindo em redes, e não utilizei por receio. Quando planejava o roteiro entre Belém e Amapá, recebi avisos de segurança por estar sozinha. Afinal, para dormir com tranquilidade, o melhor é pegar uma cabine com chave. Acontece de ser mais caro que a passagem de avião pelo espaço atender até 3 pessoas.
Chegar pelo moderno Aeroporto Internacional de Macapá (MCP) foi a minha escolha e fica apenas 3 km do centro. Embora ainda não opere, está pronto para receber rotas internacionais. Há voos diretos de Belém, Brasília e São Paulo.
E circular por Macapá
A melhor forma de circular por Macapá é por aplicativo ou aluguel de carro. O desembarque na madrugada no aeroporto foi movimentado para chamar transporte e os preços ficam dinâmicos. Se não houver táxis disponíveis, sugiro sentar e esperar um pouco; em menos de 20 minutos os valores devem voltar ao normal e são bem econômicos.
Algumas linhas de ônibus passam nas ruas ao redor dos terminais, o que pode não ser seguro se estiver carregando bagagem ou conforme o horário. Macapá parece uma cidade segura, porém é rodeada pela selva e próxima à fronteira com Guiana e Suriname, onde há altos índices de criminalidade e insegurança.
Já para pedestres (caminhei muito pela cidade), aprendi o código local para atravessar a rua na faixa de segurança: não basta parar em frente, precisa levantar a mão para o alto. Só então os carros param.

+ fotos de Macapá














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